2016-08-23

depois do tempo
ser tempo de ser
tempo de ser
tempo
este tempo é

Pedro

2015-10-15

um nervoso
miúdo
apodera-se
dentre linhas o espaço
o tempo que compete
seja o tempo de chegada
e corre
o tempo que não acontece

vernaculamente merda para o tempo
que passa sem que chegue

uma pessoa encomenda
e quer
que seja hoje amanhã

o tempo nunca mais passa
nunca mais é tempo
e quando for
que sejas
cor

Pedro

2015-02-03

há milagres
que acontecem
electrizantes
quando menos
se esperam

Pedro

2015-01-12


como
do menos
fazer mais
less is more
e mais
não será
tudo

Pedro

2014-12-30


vivemos a frase do "chuva de estrelas"
são todos brilhantes
e a nenhum se diz
que nulo

é politicamente incorrecto
é humanamente infeliz
é absurdamente suicida
achar que corrigir
dizer frontalmente
"está errado"
seja custo a evitar

depois a realidade chega
depressa e sem modas
e diz
"em 30 anos é o pior que já vi"
com grande e profunda ofensa do visado

que tristes humanos
que se acham sobreviventes
sem pancadinhas nas costas permanentes
"que bem, que bem, que bem"

é suicídio puro

Pedro
ps:
razão tem a Amélia, e mais do que julga, quando diz
as chuvas de estrelas nas tvs estão a matar este país

por definição
ser aluno
é ser ignorante
igual a não saber

enquanto aluno
investe-se
(deveria investir-se)
para aprender
e nessa condição
do ser ignorante
deixar de ser

será contradição em termos
ser-se aluno já se sabendo
(forma diferente de perder tempo)

já ser burro
tem pouco a ver com saber
é condição de estupidez

da paciência para burros com saber
tem-se um todo infinito num inverso

Pedro

2014-12-18


o aluno não sabe a palavra caricatura
o aluno não sabe a palavra somenos
o aluno não sabe outras palavras avulsas
entre o que o aluno não sabe

e o aluno talvez não saiba
que não saber não é culpa
e o aluno também não sabe
que culpa também é cultura

Pedro

desenho um dedo
que desenha o dedo
que desenha o dedo
que desenha
um dedo que desenha
palavras que desenham
outras palavras dedos

Pedro

o tempo passa
o tempo fica
o tempo canta
o tempo conta
o canto do tempo
o que conta o tempo
que o tempo canta
que o tempo conta
que o tempo passa

Pedro

atracção antiga
atracção sempre nova
por letras desenhadas
entre curvas a linhas
palavra a palavra
cada palavra verso
o verbo a palavra

Pedro

2014-11-18


hoje pensei nele
ainda sem saber

vi-o uma vez na TVI
fui lá mostrar um time-lapse de nuvens
e falou de todas as nuvens ao pormenor

foi no tempo em que a TVI me roubou uma turma inteira
inteira
acabados de formar
em modelação 3D, animação, CGI
e fiquei lá com contactos

um dia passei por lá
e apresentaram-mo

tempos mais tarde, muito mais tarde
cruzo-me com ele
em andanças de fisioterapia
na CUF de Monsanto

hoje lembrei-me dele
porque voltei à fisioterapia
e sendo que noutro lugar
que entretanto a CUF fechou Monsanto
lembrei-me dele
e perguntei-me
o que será feito do homem do tempo

Pedro
ps: zap.aeiou.pt/morreu-anthimio-de-azevedo-o-senhor-tempo-48895

2014-11-13


morreu o pai de um amigo

nestas alturas
todas as palavras e tudo
são pouco ou de menos ou nada

Pedro

oh fb
vê se desistes pá
sai dessa
estares sempre a sugerir-me
amizade
com a ex
oh fb
sai dessa pá
eu já saí
não tarda nada deleto-te
já faltou mais

vá, sugere lá mais uma vez
a ex
a ver o que te acontece

e falam de inteligência nas redes sociais
uma inteligência
mesmo burra
c'os diabos

Pedro

2014-10-12


tempo e dor
tempo e tempo
tempo e labor
entrega e amor
regresso e estertor
morte e traquejo
manejo e pendor
mais tempo que dor
o que quer a escrita
viver e andor

Pedro

2014-09-10

fica sabendo, que sabes, como o pensamento não se desagarra de ti, mantém-se em ti o tempo todo, como se nessa ligação permanente, em que tudo o resto fica num limbo de existência do dia a dia, como se nessa ligação permanente te conseguisse transmitir o que não consigo

que tens uma força maior que não conhecia, que não sei o que penso quando não penso, que não sei o que pensar

há um choque do qual se acorda muito muito devagar

sem saber como amanhã vai ser

nem estas nem outras palavras tão disfarçadas de desespero as vais ver ou ouvir
porque pediste que não
porque há uma réstia de esperança

Pedro

love you a lot
a lot I say
means a lot
even more
than the more
a lot that I say

Pedro

2014-07-14


agora
com um texto para rever
falham-me palavras
letras
pontuações
no tempo certo
da ilusão
de pensar que faz alguma diferença
publicar mais um livro
este duma exposição

carreira a quanto obrigas
a publicar para fazer contabilidade
vai-se só o gozo de fazer por gosto
fica o gosto quanto ácido na obrigação

Pedro


a travessia
atravessa
atreve-se
a travessia
travessa
atreve-se

Pedro

2014-07-09

a star is born

when you thought you knew something
reality takes its toll and shows you something else
that makes you think
reality is the best
far better than any fiction
and all these La Palice truths
become sombre comme la sombre vraiment sombre
après qu'ont li cette nouvelle étoile
si brillante, tellement vivante
où la vie se mêle avec la mort
où toute fiction est vraiment réelle

a star is born

daqui te envio uma vénia muito humilde
à tua escrita
à tua realidade
à tua ficção
à tua força mais que enorme

a star is born

Pedro
ps:
para todos os que puderem, quando chegar o tempo, não percam;
sou avaro de palavras elogios porque vejo pouco onde possam ser aplicadas;
para este texto que vai ver publicação dentro em breve,
não tenho palavras porque está para lá destas palavras;
quando for o tempo, se puderem não percam

2014-07-03


I love you very
so very much
_ that when I say
I love you very
so very much
_ I'm so overwhelmed
that very much
so very much
_ turns into
so much very
so so so much very
this overly very very much

Pedro

2014-06-23


oitocentos e quarenta e um
número redondo como qualquer um
mais coisa menos coisa
os mails que vão por aqui
ou que já vi ou que já li
mas que não respondi

há todos os dias
emergências
do dia a dia
que pedem o imediato
e para todos os outros
é o hiato

Pedro

2014-05-17


amanhã
vou fazer
um dia
emudecer

Pedro

2014-05-16


ah Paris
comme je t'aime
Paris
si longuement lointaine
Paris
de ma vie

on dirait
Paris
qu'ont s'aime
absente
tellement le temps passe
un instant
jusque aujourd'hui

je t'aime
Paris
tu sais
mon amour
à Paris

Pedro

2013-12-31

sem ponto
que não
final

Pedro
é lento o tempo
que passa depressa e devagar

depois passa
e deixa-me sem tempo

Pedro
olha que sim
e o não concordou

Pedro
devagar
foi quando nos apressámos

Pedro
endoideceste
não
amei

Pedro
estava uma mesa bem posta
até nos sofregarmos

Pedro
não me apeteceu
só isso
tão pouco

Pedro
entrámos e vimos como o calor estava
foi quando me disseste
estou tão quente

Pedro
hoje fui em velocidade
ontem
não  me enganei no caminho
só não cheguei mais cedo
porque todo o tempo é pouco

Pedro
sabes
sabia

Pedro
quanto mais
ora
não seja por isso

e o diálogo emudeceu

Pedro
ouvir-te
é como receber-te

Pedro
não te vais sem resposta
disse a pergunta
entregando-se nessa questão

Pedro

2013-12-30

amanhã
que seja
hoje

Pedro
a cada beijo um beijo
entre outro
o beijo que de ti sabe

Pedro
por entre um passo sincopado que ouço longe
vejo-te presente
e o tempo passa devagar tão depressa

Pedro
a água mata
mate
de que cor
incolor

Pedro
depois de amanhã
ou mais logo
vejo-te
e depois
dias
dirás
com quantos paus
se faz uma canoa
não me interessa
só navegar

Pedro
o dia
disse chega
e o dia
chegou

Pedro
já faltou mais
seja
que dessa falta não te fartes

Pedro
olha o dia
que dia
em que dia
dizes
hoje

Pedro
um dia e outro
quantos
a quantos dias de distância
são os outros
dias

Pedro
olha que dia
este
quanto mais passa
mais é
o mesmo dia

Pedro
não sei que dia é
nem quantos são
sei que ao dia
a dia
não adio
e não a dias

Pedro
não contes os dias que passam
conta antes os dias que são

Pedro
há dias
que o dia
é um dia
e dias
que um dia
é o dia

um dia
o dia
é
o dia

Pedro
um dia
o encontro
faz-se
e
um dia
o encontro
é

Pedro

2013-11-20


uma linha de cada vez
à vez

Pedro

2013-07-19

tanto faz
tanto faz
um dia descobrimos
que tanto faz

Pedro

2013-06-08

às vezes contente
mesmo sentindo pouca gente

Pedro

2013-05-28


faz um mês ou talvez mais
o tempo passa contínuo
a incerteza continua
ele morreu e é o vazio

Pedro

2013-04-28


de coragem e determinação
dia a dia
se faz a caminhada
o destino não o fim
o caminho o princípio

Pedro
a embalagem perdeu a validade
está gasta
frágil
não há volta a dar

todos sabem
tudo o que se faça só adia
o fim

e mesmo assim
o dia
a dia
continua
muito lentamente
à espera que a embalagem
por si mesma
dê de si

o pensamento continua agudo
e num esforço supremo
disse
"cumprimentos aos pais e ao João"
que consegui ouvir

depois disse outra coisa
que não entendi
e em mais esforço
"não percebeste?"

disse-lhe que não
disse-lhe, não se esforce
como se houvesse outro dia em que se fizesse perceber

o barulho do ar por entre tubos que não o deixam falar
é assustador

piora dia a dia
a filha médica
pergunta-me
o que pensa o meu pai

não lhe respondo não sei
digo para mim
morrer é uma merda

Pedro

2013-03-29

começar um nó
ir por aí
não sabendo do nó
corrido aí

Pedro
da verdade
o simples
sentido
distinto

Pedro
das palavras
não ditas
-
palavras
desditas
-
que palavras
entre
-
silêncios
momento
-
onde o tempo
-
que transparece
-
o eu visto
-
entre o eu
que isto
--
quantos o reflexo
-
ao tempo reflexo
-
o eu
que é
-
eu
que ser
-
eu
entre
-
ideia
de ser

Pedro
há ritmo
no silêncio

Pedro
tanto
que silencio

Pedro
uma linha de fundo
por fundo
--
que linha
no fundo

Pedro

2013-03-18

é no espaço que me encontro
quando me sinto presente
--
quando me encontro
sinto-me presente
-
quando encontro
sinto presente

Pedro
o tempo todo
sem proveito
existente

Pedro
quando chove
sinto-me húmido

Pedro
a perder tempo
por entre dobras
de dias

Pedro
--
acordei ao som de sons
que diziam
silêncio
--
Pedro
outro dia
sem querer
dei um pontapé
foi quando acordei
sem tempo

Pedro
o tempo é muito positivo
uma entidade não negativa

Pedro
sem saber
soube

Pedro
o tempo só melhora
a vontade
de nada

Pedro
o orifício
era pequeno
ofício

Pedro
não sei quando
mas quando souber
quando

Pedro
há uma altura na vida
de onde se sai
degrau a degrau
para não cair

Pedro
disse
um instante
que foi
era

Pedro
sem tempo
o tempo
pára
inconsciente

Pedro
evidências
claras
o sentir
propósito

Pedro
a travessia
atravessa
atreve-se

Pedro
do fundo
no fundo
o fundo

Pedro
uma luz
sem túnel

Pedro
ao fim e ao cabo
que dobra
tormentas

Pedro
um dia disse
acabou
acabou-se

Pedro
não há dia
que não se apague

Pedro
a recta
linha
sintomática
secante

Pedro
era
sem existir

Pedro
o tempo diz
com o tempo que fiz

onde ando
que não paro

ideia
precisa-se
de precisão

Pedro
inverter que termos
de precisão

Pedro
construa
a construção
o edifício
des construção

ao centro o ponto
ao largo o longo

Pedro
espero
de espero
des espero

Pedro
quando fui
o que sabia
que vim

Pedro
numa linha
uma só linha
entre várias
a linha só

Pedro
sabes à tarde
de outro dia

Pedro
só para ti me encho
entrelinhos
dispenso

Pedro
quando
vazio
quanto
mais cheio

Pedro
há um instante
era momento
de fecundo
pensamento

depois o vazio
disse
presente
no instante
pensamento

Pedro
à vida
faço
um manguito
caralho

Pedro
numa linha
de rumo
dessa que rumo

Pedro
ao tempo
ao tempo
que espaço
de tempo

Pedro
do vazio
afogo
o fogo
a lento

Pedro
distraio
catraio
caio
caio

Pedro
por quem
dobram
arestas
de tempo

Pedro
são sinos
são dobras
franjas
manobras

Pedro
em frente
estado a alma
carente

Pedro
a fuga
à frente
do pensamento

Pedro
não há um momento mãe
todos os momentos mãe

Pedro
a mãe disse
tanto
que o disse
tanto

Pedro
nada pode mudar
o vazio do mundo
nada muda
o vazio mudo

Pedro
quando o tempo quiser
e eu souber
o tempo a que sabe
do tempo doer

Pedro
um passo
é só um passo
em frente um pouco
passo a passo

Pedro
dia a dia
para lá
que dia
é um

Pedro
uma sucessão
de palavras
a existir
só cantadas

Pedro
porque guardo
canetas
que não escrevem
se não escrevem
quando preciso delas

Pedro
se me espelho
existo

Pedro
a imagem do reflexo
é o pensamento
sem espelho
do eu real

Pedro
acordei
com fome
de ti

dormias
sonhei-te

Pedro
morro
devagar
lentamente
sozinho

Pedro

não ia lá há anos

do santuário da Peninha
o ar estava limpo
e via-se longe
como se deveria
ver perto
se o vento gelado
deixasse

Pedro

2013-02-18

enviei um formulário
e responderam-me
(a contento?)
"Confirmo a recessão da sua inscrição"

ainda bem que o acordo
abre destes horizontes
à asneira cavalar
de (quase) toda a palavra
mal cavalgar

a confusão instala-se
quando cá já é receção
e no Brasil ainda é
recepção

haja pachorra

Pedro



ah saudade para que te quero
se da memória partes
quando a saudade na memória
é memória sem saudade


Pedro

2013-02-10

o difícil não é fazer
o difícil é escolher

Pedro

o que ainda me falta limpar
isto e algumas coisas mais

Pedro
está um dia de merda
mas não é completamente verdade

o dia não tem culpa
que esteja um dia de merda
que seja um dia de merda
que o dia seja de merda

seja

Pedro

2013-02-05


a cada segundo que passa
só estamos a perder tudo
porque tudo passa num instante
longo ou curto como um segundo

Pedro

2013-02-03

foi para o Manuel

no espaço ao lado
o verde da esperança
e eu neste espaço
já condicionado
um abraço te deixo
esperando que contes muitos
anos e abraços!

Pedro

2013-01-29

no silêncio
no silêncio
no silêncio
no

Pedro

2012-12-27

hoje utilizei um verbo
que se diz pouco usado
utilizei reciproco
com o verdadeiro sentido de usar
o presente do indicativo
do verbo reciprocar

mandaram-me votos de boas festas
e eu educado
obrigado e reciproco

com o pouco uso do verbo
eu sem culpa
ainda o gajo se acha insultado

Pedro

2012-12-14



como vai a vida?
esta vida vai estranha
umas vezes estranho
como é tanta a patranha


Pedro

2012-12-13



como ser
diferente
sendo igual
igualmente
tão igual
que diferente


Pedro

2012-12-05


enquanto
o andar
ande
que vento
de pé
desande

Pedro

2012-12-02


um teste
de paciência
é ter nisto
paciência

Pedro

a fotografia
como tudo
não é só arte
é mais vida

e como tudo
mesmo um fotógrafo
_muito_mau_
(porquê denegrir a palavra fotógrafo)
às vezes
lá consegue uma fotografia

os olhos
a lente
a luz
o frio
o quente
deixados em paz
um dia
a fotografia faz-se

Pedro

2012-11-20


à volta
de um
garfo
que palavras
arado

Pedro

2012-11-19


de silêncio em silêncio
que silêncio silencio

Pedro

redondos
quadrados
aos molhos
fadados

Pedro

2012-11-16


para ti
criarei
um dia
cheio de ti
um dia
todo nosso

Pedro

2012-11-15


vi-te
a voz
o fio
qual
novelo
dedilhado

ouvi-te
as palavras
os sons
pelas sombras
tuas árvores

Pedro

2012-09-03


há momentos
de recolhimento
deste instante
o momento

Pedro

2012-08-31


tic-tac tic-tac
said time
tic-tac tic-tac
sad time

Pedro

2012-08-23



é bom o regresso a casa
a esta normalidade
pena que alguns luxos
não sejam normalidade

Pedro

2012-08-21



no último dia é que tenho este bónus

é preciso sorte

Pedro

2012-08-14


era uma vez um tempo
que não tinha tempo

Pedro

2012-08-13


por pouco que se saiba é verdade
que todos os suíços são militares

já as suíças há quem diga
que são excessos capilares

Pedro

2012-08-12


se há dúvida
de que duvido
será por certo
que estou vivo

Pedro

2012-08-11


esses olhos belos
são como rosas
a flor
esses olhos belos
são eles rosas
amor

Pedro

2012-08-10


quantos civis mataram
para viverem militares

Pedro

2012-08-09


em Nagasaki fez-se silêncio
como antes não havia silêncio



¨

2012-08-06


as rosas de Hiroxima
eram vermelhas de amor
como em todo o lado
em que o vermelho é amor

as rosas de Hiroxima
deixaram o vermelho na dor
como em todo o lado
em que o pavor é dor

as rosas de Hiroxima
são vermelhas de amor
como em todo o lado
em que o tempo é dor

Pedro

2012-07-30


que eterno é esse
em que o amor
é sempre

Pedro


um abraço eterno
que seja afago
não seja o eterno
abraço mortalho

Pedro

2012-07-28


mal tu sabias
o que eu sabia
que ainda
te ia acontecer

a tua condição
de amor mulher
filigranas
de estados de emoção

Pedro

2012-07-27


naquele limiar
entre terra fogo
água e ar

um dia
esse dia
hoje o dia

Pedro

2012-07-21


paciência
insistência
sapiência

é tudo ência
como ciência

Pedro

2012-07-16


o poeta poetisa
entredentes
poesia
entrementes
pensa
entredentes que poesia

Pedro


andas por onde
que andas
que andas onde
que andas
no som do silêncio
o som do tempo

andas onde
que te vejo
no tempo
no tempo

Pedro


sentei-me à borda da cama em lençol lavado

quando me levantei vi a forma do rabo

Pedro

2012-07-09


havia um tempo
em que havia tempo

Pedro

2012-07-08


o tempo só
só é tempo

Pedro

2012-07-07


só é tempo
o tempo só

Pedro

2012-07-06


no tempo
sozinho
o tempo

Pedro

2012-07-05


há dias em que o tempo parte
e volta
como um raio
que o parta

Pedro

2012-07-04


acordei com um incêndio
um fogo que ardia
as chamas no telhado
a minha voz que não saía

acordei com um fogo que ardia

Pedro

2012-07-02


o que é o tempo que nasce
no mesmo instante passado
um tempo que é só tempo
sem cheiro, vivo ou cor

Pedro

2012-07-01


se não sabes
como saber
não adivinhes
o que ler

Pedro

2012-06-30


passas por mim
sempre à mesma pressa
um sem fim de cheio
um vazio infinito
desde o instante que nasces
sem tempo que realizes
que a cada momento novo
já és um tempo morto

Pedro


esteja o tempo bom
mesmo tempo a gosto
como é tal o tempo
se não se lhe sabe o gosto

Pedro


o que faz um tempo cansado
quando descansa
fica parado?

Pedro


o tempo que escorre entre os dedos não é tempo
é o que vejo que não acontece por entre o tempo

Pedro


o que é que o tempo novo tem para me dar
se o que me dá é o que me tira por passar

Pedro


por que é que o tempo passa
se não saio do mesmo lugar

Pedro

2012-06-22


a realidade vem devagar como quem não quer a coisa e faz-se por entre o que há e o que não há sempre muito devagar tão cheio de lentidão que não se dá por ela e um dia acorda-se como se foi um rijo corpo de tudo que é nada e nesse momento a consciência será outra que a realidade talvez valha a pena quando percebemos que existe para a vida mas isso é outra história para a qual é preciso estar vivo

Pedro

2012-06-21


entre luz e sombra
entre
que luz
a sombra

Pedro

2012-06-17


há um tempo
que me custa
o tempo
de silêncio
pausa
paragem
interregno
há um tempo
em que o tempo
deixa
de me ser

Pedro

2012-06-16


encaracolado
o fio
fino
do encontro
o próximo
gesto
um só
momento
de entre

o
beijo
gesto
toque
terno

Pedro

2012-06-15


os cemitérios na Escócia
os que eu vi
têm vistas lindas
de morrer
e quem lá mora
espraia a vista
em paisagens de sonho
beleza eterna

os mortos na Escócia
vivem felizes
a espaços o encanto

Pedro

2012-06-14


estás sentada
dança-te o cabelo
que é da trança
menina
o teu cabelo

Pedro

2012-06-13


a voz a vós
que
disto
sabeis

sabeis
vós
a voz
a que isto
sabeis

Pedro

2012-06-12


desnudo-te
lento o tempo
em que te tenho
desejo teso
longo o beijo
ao seio o bico
rijo também
o membro chupado
sexo encavado
vaivem de amor
vaivem e tanto
encontro de pele
toque e afago
mimo suave
o corpo tocado
sussurro o canto
os lábios beijados
em ti que faço
em ti me faço
que nos e nus
amor nos damos

Pedro

2012-06-11


do compilar
as cartas de amor
em tempo mor
serão cartas, amor
para lá do tempo
cartas de amar

Pedro

2012-06-10


beijo-te
o teu corpo
a minha sede

Pedro

2012-06-09


a solidão, amor
não é só
a solidão, amor
é estar sem ti

Pedro

2012-06-08


a bom porto retorno
que no teu regaço me acosto
e em ti descanso

Pedro

2012-06-07


ensurdeço
neste
silêncio

Pedro

2012-06-06


espero-te
cheio
de vazio
do tempo
sem tigo

Pedro

2012-06-05


o tempo sem ti é outro tempo
um tempo demasiado lento

Pedro

2012-06-04


a casa
sem ti
é um desassossego
de tanto tanto
o sossego

Pedro

2012-06-03


o alimento alimenta
e eu alimento-me
do alimento
que alimenta
e eu
alimento

Pedro

2012-06-02


leio
o que vejo
o que leio
o que leio

Pedro

2012-05-30


a pancada veio
como um silêncio sem espera

Pedro

2012-05-29


soltas
ou nem tanto;
çoltas
se tanto

uma docente:
"... lançem na secretaria as notas ..."

outra docente:
"... o processo é mais sólido se podermos contar com ..."

um aluno, sobre as idades dos utilizadores de um sistema:
"a estatura das idades"

outro aluno:
"as funcionalidades do comando manteram-se"

e outro:
"A conjectura económica veio atrasar a «onda verde»"

noutra interacção, digo ao aluno:
"... isso é uma questão de somenos ..."
e ele:
"- o que quer dizer somenos? é uma expressão que nunca ouvi"


a língua transforma-se
dinamicamente
numa çerta forma de acim

inicio-me nalguma desesperança
coisa de
desespero
sem esperança

nesta conjuntura conjecturo
que não é de somenos
se pudermos manter a estatura da língua,
esperando que não se lançem
desaliçerces

Pedro

2012-05-26


hoje pensei em ti
sentido

Pedro

2012-05-25


hoje pensei em ti
com

Pedro

2012-05-24


hoje pensei em ti
penso

Pedro

2012-05-23


hoje pensei em ti
hoje pensei em ti

Pedro

2012-05-22


hoje pensei em ti
o que

Pedro

2012-05-21


hoje pensei em ti
como pensei

Pedro

2012-05-20


há dias e dias
em que os dias
e que dias
são tão dias
dias

ah como seria feliz
se o dia não fosse dia
se o dia não fosse um dia
que um dia seria dia
que ao dia
dia a dia
fosse o dia
só um dia
esse o dia
ah que dia

Pedro

2012-05-19


hoje pensei em ti
em ti

Pedro

2012-05-18


hoje pensei em ti


Pedro

2012-05-17


hoje pensei em ti


Pedro

2012-05-16


hoje pensei em ti
entre tanto

Pedro

2012-05-15


hoje pensei em ti
enquanto

Pedro

2012-05-14


hoje pensei em ti
no momento

Pedro

2012-05-13


hoje pensei em ti
raízes

Pedro

2012-05-12


hoje pensei em ti
o momento

Pedro

2012-05-11


hoje pensei em ti
se penso

Pedro

2012-05-10


hoje pensei em ti
sem saber

Pedro

2012-05-09


hoje pensei em ti
sim

Pedro

2012-05-08


hoje pensei em ti
um sorriso

Pedro

2012-05-07


hoje pensei em ti
e penso

Pedro

2012-05-06


hoje pensei em ti
e como te digo
penso em ti

Pedro

2012-05-05


hoje pensei em ti
lentamente

Pedro

2012-05-04


hoje pensei em ti
ao acordar
como és

Pedro

2012-05-03


hoje pensei em ti
entre mãos

Pedro

2012-05-02


hoje pensei em ti
minimamente
tanto

Pedro

2012-05-01


hoje pensei em ti
o pensamento

Pedro

2012-04-30


hoje pensei em ti
entre

Pedro

2012-04-29


hoje pensei em ti
e como

Pedro

2012-04-28


o que vale a pena
é poesia

Pedro


hoje pensei em ti
um instante
que penso
sempre

Pedro

2012-04-27


hoje pensei em ti
como desconheço

Pedro

2012-04-26


as palavras
esvaziam-se
de dor

Pedro


hoje pensei em ti
na subtileza
de curvas
o pensamento
entre o pensar
o descrer
que penso
que penso

Pedro

2012-04-25


hoje pensei em ti
sem saber
o que penso
mesmo pensando
que penso
em ti
que penso

Pedro

2012-04-24


há um tempo
em que o tempo
te deixa ir
quando

Pedro

2012-04-23


hoje pensei em ti
como penso todos os dias
todas as horas
a cada milissegundo
o tempo do universo
hoje pensei em ti
como penso

Pedro

2012-04-21


significado
significante
doce chocolate
pinante

Pedro

2012-04-20


uma palavra
duas
que palavras
duas

Pedro


vive
o caminho
que morre
que todo o caminho vive
para lá do que morre

Pedro

2012-04-12


o tempo corre
passa

às vezes
devagar
corre

Pedro

2012-04-11


o silêncio é um tempo
de espaço sossegado
o tempo feito lento
entre som sussurrado

Pedro

2012-04-07



só mais um pouco
só mais um pouco



[
lido não tem tanta piada como só pensado
que pensado não se vê
o que na outra linha já se lê

até o ritmo é diferente
um ritmo mental
que não consigo copiar
para o visual
]

Pedro

2012-04-06


um passo
depois outro
seguido de outro
cansaço
o passo
a passo
do mesmo
cansaço

Pedro

2012-04-05

a tua voz, revisitado


a tua voz
acalma-me o cansaço
refaz-me o sorriso
preenche-me o espaço
de não estar contigo
num longo abraço

Pedro

2012-04-04


tenho sentido
que sinto
e tantas vezes
que sinto
tenho sentido
que sinto
tanto o mais
que sinto

Pedro

2012-04-03


uma nota só
entre o espaço de letras
o silêncio

Pedro

2012-04-02


quem parte
fica sempre
nos corações
que não partem

Pedro


acabar
é um início
começo
princípio

Pedro

2012-04-01


entre um momento
e outro
entrementes
o outro

Pedro

2012-03-31


a tua voz
acalma-me o cansaço
refaz-me o sorriso
preenche-me o espaço
de não estar contigo

Pedro

2012-03-29


há o cansaço
o descanso
e o madraço

Pedro

2012-03-28


a primeira vez
é entre o húmido
e o cortês

Pedro

2012-03-21


que dia
que poesia

Pedro

2012-03-20


amo-te cada dia
e cada dia mais um
dia que te amo
que te amo cada dia

Pedro

2012-03-11


à luz do luar que vi eu
vi uma mulher sentada
a pele branca descoberta
a toalha nas mãos de prata

da cintura fina às nádegas
do corpo as sentidas curvas
fazem-na formosa e segura
descoberta e cheia de graça

à luz do luar que vi eu
era uma mulher sentada
tão linda que o mundo espanta
tão linda que o mundo pára

Pedro
e uns empréstimos do Luís

2012-03-09


umas vezes assim
outras menos assim
assim como assim
sou como eu em mim

Pedro

2012-03-02


é o stress
da terra
o stress
da serra
o stress
da seca
o stress
da rega
o stress
de ir
o stress
de ficar
o stress
de decidir
que stress
desstressar

Pedro


adormeço
aconchegado
num quente
borralhado
o teu corpo
chegado
ao meu
aconchegado

Pedro


à uma
e à vez
não é uma
nem são três

Pedro

2012-03-01


quando o tempo é este
que não se sabe para que lado cai
é tempo de esperar
que em esperando lá se vai

Pedro

2012-02-29


come chocolates, pequena
desse comer com sabor
come chocolates, pequena
desse chocolate amor

Pedro

2012-02-24


numa palavra
tudo
quando
a palavra
é tudo

Pedro


no silêncio
uma palavra
de olhar

Pedro


a vida é poesia
umas vezes rima
outras desafina

Pedro

2012-02-23

eu e o Zeca


falando dele
eu estive sentado ao lado dele

foi numas termas
cada um no seu aerossol

eu era um miúdo
e ele crescido

a D. Helena assistia-nos
e a sala estava vazia

Pedro


os beijos
bons
são redondos
e bons

Pedro

2012-02-22


sono sonolento
enquanto em ti
me sonolento

Pedro


I'm living
that's for sure
in the love
the lure

Pedro


no tempo do silêncio em que me abrigo
o tempo de silêncio em que me digo
que tempo este silêncio
que tempo

e no silêncio do tempo sou
só silêncio no tempo que sou

Pedro


com café e chocolate
nos chegámos
o café das nossas manhãs
os beijos de chocolate

Pedro

2012-02-20


há quem faça uma pausa
quem suspensa o tempo
quem recue um parágrafo
quem releia o sublime

quem retome uma palavra
quem refaça o sorriso
de repetir a leitura
da frase que redime

eu faço a pausa no tempo
e no tempo do replay
recupero no instante
o tempo do instante

Pedro

2012-02-18


sinto a tua falta
como o vazio cheio
do tempo de ti
que ainda não veio

Pedro


um amigo
um olhar
um sorriso
de abraçar

Pedro


caminho do silêncio
enquanto o silêncio faz
do caminho o silêncio
a passos de paz

Pedro


oh tempo que és
oh tempo que foste
que tempo és
que será que foste

Pedro


o mundo anda cansado
e mais que preocupado
anda tudo sonolento
a cada passo mais lento

Pedro

2012-02-17


"E agora recebiam um pedido de auxílio, ...
uma mensagem numa garrafinha... o que diriam?"

recebe estas palavras
nesta garrafa vedada
respira do ar que leva
é magia que te agarra

abriste sem respirar?
não sabias sem ler?
como ler sem abrir?
olha, é a vida...
leva-a a rir

Pedro

2012-02-14


o meu amor é único
como é único
o meu amor

Pedro

2012-02-08


mudam-se os tempos
mudam-se as prioridades

Pedro

2012-02-07


Algo me diz
que este dia
te seja feliz
sendo hoje (e sempre!)
mais que nunca o dia
de ser petiz :)

para a Amélia

Pedro

2012-02-06


a morte é um incómodo

Pedro

2012-02-05


tenho trabalhado
como há muito
fisicamente
o não fazia

dói-me tudo
não me dói
a parvoíce
de adiar
um relatório
de encher
chouriços

Pedro

2012-02-02


ai amor amor
o que eu não dava
por uma cabana

ai amor amor
tu e eu
uma semana

Pedro

2012-01-17


ontem
foi
como te lembras

hoje
é
como sabes

Pedro

2012-01-16


gosto de um gosto de gostar
com beijos e amor de amar
os carinhos doces e fofos
amassos afagos e miminhos

Pedro

2011-12-18


ama
te
que
me
ames

Pedro

2011-12-05


abre as janelas à luz
e vê
que a alegria
não está só
nos teus olhos

é o calor
o sol
o ritmo
o quente
o espaço
do frio
como ausente
foi-se

abre as janelas
e vê
como a luz
as transforma

Pedro

2011-11-27


o tempo não voa
passa a voar

Pedro


o mundo
gira
que gira
o mundo
onde vai
parar

Pedro

2011-11-26


um sorriso
que ganho
do sorriso
que faço

Pedro

2011-11-24


anda a funcionar tão bem
que ao ritmo a que os mails se perdem
nunca ficamos a saber se seguiram, chegaram
ou que caminho tomaram

Pedro

2011-11-20


caem brancas
as gotas
das pinceladas
que caiem
os muros vestidos
a gestos de cal

Pedro

2011-11-13


é tão verdade que a cor distrai
como é verdade

que disse

Pedro

2011-11-12


rio alto
o som riso
o som alto
verso grito

Pedro


que sentir desconheço
quando me alojo
entreteço
quando me alojo
que me perco
o gesto
entreteço

Pedro


breve breve
o tempo breve
longo o tempo
o tempo breve

breve breve
o tempo escreve
tempo longo
no tempo breve

Pedro


vejo a cores
penso a cores
sonho a cores
rio a cores

ou cinzento

o cinzento é melhor para as formas
a cor é ruído

Pedro

2011-11-10


o fogo
dura
dura mais
que o tempo
dura

Pedro


de um manto
a outro lado
que manto a face
do mesmo lado

Pedro


de perder
a achar
mil
ou uma
formas de amar

Pedro


morreu
amor
o amor
morreu
se morreu
amor
que amor
nasceu

Pedro

2011-11-08


quando
adormeço
finalmente
o cansaço

Pedro

2011-10-28


um dia
entre outros
os dias

Pedro

2011-10-08


um livro
entre folhas
as folhas
do livro
que lento
desfolhas

Pedro

2011-10-01


a justiça é assim

tens dinheiro (obtido como?)
compras um bom advogado
que usa a legalidade
para dar todas as voltas ao bilhar
e de recurso em recurso
podes mesmo marimbar
fazer o que te der na real gana
que é só aguentar
até que finalmente
armas-te em inocente
acaba tudo por prescrever

Pedro

2011-09-29


a maggie mandou-me um email
sobre abraços e carinhos
os abraços gratuitos
por essa Europa fora

respondi-lhe

estou com um humor de cão
o responsável é o galo da vizinha
que desde as 5 da matina
todos os dias
não se cala

e é pontual
todos os dias
às 5 da matina

e se lhe fosse dar um abraço
que o esganasse de amor?
depois partilhava bem humorado
um arroz de cabidela amoroso

Pedro

2011-09-27


pancada?
pancada?!

há palhaços que insultam a profissão
tiranos que só à pancada
a Primavera tarda na Madeira
onde o decoro que é só palhaçada

Pedro

2011-09-17


independência
para a Madeira


e dois coices
(e não é no telhado)

Pedro

2011-09-09


que seja eterno
sentir-te a pele
nua
toda

Pedro

2011-09-05


banal
a palavra
ressentiu-se

Pedro


um tango
a luz
média
o fogo
vermelho
quente intenso

Pedro

2011-09-02


são que horas
as horas que são
horas de ser
de ser a hora

Pedro

2011-08-29


a uma hora
de manhã
uma hora
tamanha
passou que tempo ora
tempo para lá da hora

Pedro

2011-08-27


quando a água te escorrer
pelo corpo
pelo corpo escorro
a língua
a sorver-te

Pedro

2011-08-21


chocolate preto
café amargo
doce vida

Pedro

2011-08-16


está onde a tua mãe
que te criou
pariu
alimentou
sorriu

que te fez ir

como ir viver

que te fez pensar

como pensar ser

onde está
a tua mãe
que em ti és tu
que tu és quem
filho de quem
de sua mãe

Pedro


do eco
que devolvo
eu
do eco
que me devolve
a mim
que eco sou eu
do que ecoo
em mim

Pedro

2011-08-15


passo a passo
um devagar
a passo
a caminho
compassado o passo
este passo
já compasso

compassado
com passado

Pedro

2011-07-14


foi há dois anos
a salinidade variável
o tempo
cafés amargos
e canela
que me fizeram ir
e regressar
com a incerteza
segura
que ia encontrar

mais do que fora
encontrei
e o que é o que foi
está a ser
agora

é viagem
é caminho
tanto de tudo
contigo

Pedro

2011-07-13


o sincopado
lê-se
sente-se
e sentado
demente
o sincopado desmente
a linha rectamente curva
uma curva às direitas

necessário é desiludir
o conteúdo a forma

Pedro


vou
não fui
não sei se vá
se fique
se ande
caminhe
corre
o tempo é mais
e eu
menos que mais

Pedro


o conteúdo
que se forma
que se enforma
de que forma
o conteúdo
é forma

Pedro

2011-07-12


mais do que o tempo é
o tempo de que ser é
hoje o momento é
o instante é
o estar é
agora

Pedro

2011-07-11


sais
de manhã
a casa cheia

regressas
à noite
e a casa
silenciosa
parece vazia

Pedro


movimento
parado
entre visto
olhado

Pedro

2011-07-04


no meu filho
[que me vejo (extenso)]
amo tudo

o que amo nele
que seja em mim
eu

Pedro


quem me dera ser
nada do não ser
tudo para ser

Pedro


Mãe que te sinto em mim
quanto de mim de ti
é quem sou por mim

Pedro


mágoas que não vedes
de quem sois mágoas
por quem sedes

Pedro

2010-10-26


tanto ruído
à procura de silêncio

e encontrado
encontra-se o mundo perdido

o silêncio é um amplificador

do espaço
do tempo
da solidão
da dor

Pedro

2010-10-21


- pai, fazes-me o nó nesta gravata?

pedido do meu irmão
também eu recorro ao mesmo processo

digo
um dia o homem fina-se
e a gente amofina-se

risos

Pedro

2010-10-17


que idade é esta
em que o bater de asas
de uma borboleta
viva
tem menos que ver com poesia
e mais com teoria do caos

Pedro

2010-10-15


o governo prevê
crescimento económico
para 2011

deixa-me rir
que há muito
não chorava

Pedro

2010-10-13


um beijo
um sorriso
quente
o universo

Pedro

2010-10-12


sentes as rodas que tocam a pista
o avião que resvala
de lado
recompõe-se
endireita-se
sentes-te suspirar
ainda não foi desta

Pedro


por entre o ar da nuvem
passei
a caminho
de ti
o ar que me susteve
até me encontrar
para lá de mim
no chão

saí do aeroporto
estavas à porta
não sabes
das minhas saudades

Pedro

2010-10-11


há sempre tempo
até ser tarde demais

Pedro

2010-10-10


a vantagem do tempo
é que é inesgotável

passa
mas não acaba

Pedro


os anjos existem
sabes
porque vejo essa existência
sabes
a beleza infinita que um anjo é
concreta física palpável próxima
quando te toco e envolvo
o momento do paroxismo
o teu rosto no orgasmo

Pedro

2010-10-09


na noite da minha insónia
vi-te
o corpo que dormia
a espaços encostado a mim
as mãos a percorrer-me
as pernas as ancas a pele o sexo
à noite vi
o teu corpo
o desejo vivo

Pedro

2010-10-08


olhar para dentro
longe ou perto
é o conforto de ser dentro
que o faz mais perto

Pedro


olhar a solidão do outro é olhar a solidão própria

Pedro

2010-10-07


passear
as mãos dadas
entre árvores e folhas
o jardim
no olhar o longe
no entre o olhar dos teus olhos
sentir-te
rosto cabelo lábios beijos
sentir-te
desejo
quente o encontro amor

Pedro

2010-10-06


o fim do começo sem fim

Pedro

2010-10-05


como o começo sem fim
tem um fim o começo

Pedro

2010-10-04


escrever é amar
como amar
com tempo
o lento pressa
o vagar vagaroso
o momento instante
o eterno fugaz
o verbo suspenso
a acção subtil
o toque fá-lo
o tempo mil

Pedro

2010-10-03


o governo mente
e de repente
o sol deixou de brilhar
os arautos da desgraça
que não tinham razão
afinal
só tinham razão

não é o governo que vai nu
é o governo demente
que já não desmente
pois que sempre mentiu
e agora mais mente
por mais quanto tempo
oh gente

Manuela, volta
estás perdoada

perdoa-se-te a má pose
a figura pouco abonada
a gaguez de alguns discursos
perdoa-se-te tudo
volta
que não te queria dar razão
mas que Deus me perdoe
és bem capaz de ter razão

"e até não sei, se a certa altura, não é bom haver seis meses sem democracia, mete-se tudo na ordem e depois então, venha a democracia"

esta porcaria precisa de ordem
precisa de quem não mente
de quem não se abotoa
precisa de gente

esta gente
não é boa gente

Pedro


chove
como te odeio
que chove
sem ser ódio
que chove
só porque me atrasas
que chove
e eu sou tão preguiçoso molhado

sair até ao fundo da rua
que é um bom pedaço longe
e pensar que vou e chego molhado
que bela a ideia me parece de não ir

Pedro

2010-10-02


durmo
que ainda acordo
o sabor do teu quente
o corpo que acordo

Pedro

2010-09-30


ladrões
e outras palavras
que rimam com ões

Pedro

2010-09-26


uma vida sem mortes é um bocado vazia

Pedro


para que há-de uma pessoa preocupar-se
se da vida não sai sem morte

não há que ter pressa

Pedro

2010-09-24


vinha no metro a olhar as pessoas que saíam e entravam nesta sexta de noite e as pessoas são todas iguais aqui e em qualquer lugar quer se queira quer não entre estas e Portugal os sorrisos são os mesmos uns são muito tristes e outros que tristes são entre uns poucos o rosto calmo e nisso os tristes são mesmo tristes em Bruxelas ou noutro lugar a tristeza é universal

Pedro


caminhava à frente deles
as mãos atrás das costas

e diz a minha filha
caminhas como o avô

e eu
deve ser genético
e ela
é querido

querido é ouvir-te isso
querida

com conhecimento para o avô

Pedro


o raio de luz entrou
sem pedir licença
e a sombra iluminou-se

Pedro

2010-09-23


era noite escura
escura
e pela noite escura
escura
perdi a minha sombra

Pedro

2010-09-22


quando morrer vou ter o tempo todo

Pedro


quando nos morre alguém
de que sentimos realmente a morte
parece que o vazio vem
a cobrar alguma dívida que não percebemos

e o pasmo
é mais que o vazio

Pedro


a minha tia morreu
o meu pai flipou

o meu orientador morreu
eu flipei

quando o meu pai morrer
o que farei

Pedro
um orientador sempre é um pai científico

2010-09-20


o meu reflexo vê-me

eu vejo que me vê

diz-me
- vejo-te
sem eu me ver

eu reflexo vivo
penso
quem é o morto

Pedro


o tempo
que me faz
faz-me o tempo
que me fez
passos adiante
paralelos
atrás
um tempo faz
um outro fez

Pedro

2010-09-19


fiz um peixe supimpa
gostei muito do peixe que fiz
não sei se gostou de mim

Pedro

2010-09-16


as horas e o minutos
desta chuva
miúda
que tempo
miúda
que tempo de chuva miúda

Pedro


olho-te nos olhos
e sorrio

Pedro

2010-09-14


que Pedro sou
que poeta serei
das palavras os sons
o silêncio direis

2010-09-13


de um ao outro lado
da água
navegantes

é só um copo
e no entanto

Pedro

2010-09-06


fico péssimo quando te vais embora

as saudades começam antes de partires
ainda estás presente e já te sinto a falta

é uma parvoíce que não consigo evitar
tento estar sorridente
alegrar-me
mas tu notas sempre

perguntas-me porque estou triste
respondo-te que estou cansado

quando voltaste a perguntar
não te menti
disse-te
fico sempre com muitas saudades tuas quando partes

também fico com muitas saudades tuas
mas ainda aqui estou
e vamos estar juntos nos santos

a tua alegria contagiou-me
e os últimos dias foram melhores

as saudades que me fazes

Pedro

2010-09-03


passei na estrada
passei o passeio
passei o túnel
sentei-me a olhar

a areia o ar o mar a linha ao fundo de azul entre azul

um beijo
um olhar
um rosto
o estar

dos teus olhos o fundo
o fundo o fundo

Pedro


a mesa
à janela
não sai do lugar

por onde o lugar
da janela
o olhar

Pedro


eram duas ou três
não mais
e do que esqueci
lembro-me

Pedro

2010-08-31


amo-te
no que me complemento
tão nu
tão cheio

Pedro

2010-08-30


a primeira regra para o amor verdade
deveria ser no teste do espelho verdade

o olhar sobre si despido o reflexo
do olhar entretido num outro sem nexo

Pedro


que amor amor / amor que é
amor de amor / desamor que é

Pedro


um pinga
o outro respinga

e um pingo
entre um e o outro
pinga

trocando voltas
de volteio trocado
respinga o que pinga
pinga o voltado
amores fenómeno
amores furados

Pedro


o dia que era
hoje é

Pedro


o cavalo morto
corria
o cavalo morto
relinchava
o cavalo morto
no prado
o cavalo morto
sonhava
o cavalo morto

Pedro

2010-08-29


da carne
ao objecto
do sublime
ao profundo
vejo-te os olhos o rosto
os lábios o gosto
um estar cheio
tão pleno o gozo

Pedro

2010-08-26


quando nasci
vinha comigo um envelope

dizia
"esmagar para viver"

ouvi estilhaços
abri o envelope
com mil cacos de reflexos
de um espelho partido

numa linha de instrução
"segue o teu reflexo"

Pedro

2010-08-18


para várias e outros vários
de abraços e beijos bons
obrigado eu
com abraços e beijos e beijos e abraços
os abraços apertados
em laços de beijos

:-)

Pedro

2010-08-13


que conversas tantas
entre legendas desditas

Pedro


está entre as palavras ditas
o ar por que pensas

Pedro


uma obsessão
é uma observação
permanente

Pedro


só encontro sentido
no sentido

Pedro


como é que vives
vida
e poesia
dia a dia

Pedro


às três da madrugada
era manhã
e eu dormia o sono
lento
de quem se deita tarde
a mão
algures na cama
mas não na coxa da mulher
que não dormia ali

às três da madrugada
era cedo
e os sonhos novos

Pedro

2010-08-12


quando o passado não é presente
o presente é futuro

Pedro

2010-08-11


ele há dias
(e as noites, dela?)

Pedro


beijava-te agora
porque sim
que os beijos assim
são tão sim

Pedro

2010-08-09


as saudades são um objecto estranho
de presente
e antanho

Pedro


what can one say
not yet said
a smile a play
the world the set

Pedro

2010-08-08


de nós
que nós

Pedro

2010-08-07


há cadáveres mortos
e cadáveres vivos
e vivos cadáveres
como cadáveres mortos

que mortos cadáveres
desfizeste esqueletos
que também há mortos
em esqueletos vivos

Pedro

2010-08-06


nenhuma morte é trágica
nenhum adjectivo
a morte é

Pedro

2010-08-05


no beijo
que dês
o beijo
que vês
no beijo
que lês

Pedro

2010-08-03


o filtro
o pó negro
a canela
a água
o botão
o tempo de espera
de um pouco mais
e um café preto amargo e canela
no tempo do sabor

Pedro

2010-07-30


faz noite
um cão ladra
não me acorda
penso
que o tempo passa e não é tudo igual

Pedro

2010-07-28


o sal
variável
como imagem fugidia
de um dia adentro de outro dia
a cada dia
sal novo
o novo dia

Pedro

2010-07-27


foi há um ano
a operação delicada
de recuperação lenta
que depois

Pedro

2010-07-26


o ir
o vir
devir

Pedro

2010-07-25


de todas as viagens
volteio contigo

Pedro

2010-07-24


ir é importante
o regresso é mais

Pedro

2010-07-23


ilusão não é o que vemos
é o que queremos ver



Pedro


penso em ti
distante
e no carinho que te quero
que penso em ti
tanto
o beijo de boa noite
que te quero

Pedro

2010-07-21


quando um silêncio é

Pedro

2010-07-19


todos os dias banais são dias excepcionais

Pedro

2010-07-18


o amor
amor
é tanta ternura

Pedro



contigo
o imenso de pleno

Pedro


no quente
que me aqueces
o quente
que te amo

Pedro


no silêncio do teu respirar
o cheiro a sexo de amar-te

Pedro


um só verso
entre silêncio só
só um poema completo

Pedro


que anos passam
que a memória fica

Pedro

2010-07-17


a saudade
é assim que se faz
presente

depois demente

Pedro

2010-07-16


bom
e
imperativo

o beijo

Pedro

2010-07-15


a memória
não substitui
desafoga

Pedro

2010-07-14


pouco a pouco
que sabe
a tanto

Pedro

2010-07-13


clara
brilhante
luminosa
cegueira de luz

Pedro


o tempo chegado
a falta
o passado

Pedro

2010-07-12


da memória
o tempo
viva

Pedro

2010-07-11


recebeu a carta
que leu
por entre um rasgo

Pedro

2010-07-10


suor
amor
é vida

Pedro

2010-07-09


entre
por aí
e aqui
que espaço

Pedro

2010-07-08


macio
claro
delicado
morno

na memória
para sempre

Pedro


esse primeiro momento é magia

Pedro

2010-07-07


deixei a máquina do café armada
que às sete em ponto principia
a química por dentro irreversível
sabores quentes novos e iguais

Pedro


se reparares
rodeias-te
de mares

Pedro


quanto um mar
pode ser separação
união
individualidade
comunhão

Pedro


quanto de um mar
se pode fazer
do mar amor

Pedro


à noite
o cheiro de café preto amargo
acorda-me
de dia

Pedro

2010-07-06


deixar que o tempo te escorra
pelo corpo como o suor marca
um tempo de amar amor sem tempo

Pedro


com palavras te olho
com sorrisos falas-me
como palavras que olho
nos sorrisos que sinto

Pedro


a salinidade variável
o suor
amor

Pedro

2010-07-05


é uma sensação engraçada
chegar a um lugar longe longe
só pelo desafio
sem se saber o que se vai encontrar
só pelo desafio de ir

Pedro


eram
curvas
estreitas
escuras
húmidas

agora
deslumbre

Pedro


olha como peça a peça devagar

Pedro


fui
voltei

no entretanto

Pedro


quando te conheci
não passavas de uma imagem
para ti eu imagem
que conhecimento viver em ti

Pedro


diferentes
iguais
sentimentos
olhares iguais

Pedro


à uma
desde ontem

já parece uma eternidade

Pedro

2010-07-04


que silêncio

Pedro

2010-07-03

2010-07-02

2010-07-01

2010-06-30


não terminar na tónica
na música
como em toda a outra música
um exercício pleno

Pedro


deixa-me dizer-te um segredo

Pedro

2010-06-29


querido diário

ontem à tarde o meu pai levou-me a passear
fomos ver um cabo
e lá estavam pegadas de dinossauro
que se viam muito mal
mas o meu pai disse
estás a ver aqui, diz que estão as pegadas ali
eu já estava farto, queria ver o big bang
e o meu pai disse
aproveita este ar
e depois voltámos para casa
que ele também queria ver o big bang

filho

2010-06-28


do calor que se liberta
o cheiro do teu calor
um sabor que saboreio
a saber a mais que amor

Pedro

2010-06-27


entre um e outro
um tempo outro

Pedro


era de mansinho
lentamente
que saía

pé ante pé
no silêncio
o café

canela
preto
o cheiro

acordavas o sorriso grande
um beijo o travo amargo

que preguiça boa
acordar-te molhada

Pedro


há tempos que o espanto não dilui

Pedro


um vale
inundado
enrugado
de lençóis

Pedro

2010-06-26


o beijo
entre um
e outro
lábio

Pedro


é lento o chegar
tão rápido o partir

Pedro


se tudo é igual
a consciência da diferença
não é igual

Pedro


a palavra faz-se lenta
tão lenta
abandono
geme gemido

Pedro


tempo suspenso
sorriso eterno

Pedro


pelos lençóis alvoroçados
a calmaria
do mar envolto tempo
o grito
poesia

Pedro


no livro devagar que faço
ar entre as folhas
o espaço do poema

Pedro


saí
lembras-te
cedo
que o meu sono ficou contigo

depois logo antes de partir
voltei atrás
dormias o meu sono solto

Pedro


uma e duas vezes
não mais
devem ter sido suficientes

depois olha
olhámos
e ainda

Pedro

2010-06-25


do olhar da criança que se pasma
o olhar da criança que se plasma

Pedro


se o meu olhar te tocasse
como te olho
ah se o meu olhar tocasse
como te toco

Pedro


leio
e percebo
onde o que leio
me preenche
cada poro da pele que sente

Pedro

2010-06-24


como fazer imagens de palavras
por entre sorrisos de lábios
entre miragens e margens
duns quantos sorrisos vários

Pedro

2010-06-23


sentir o teu corpo
como quem sente o rio
que passa mansamente
enquanto beija margens

Pedro


lembro-me

do toque da tua pele
do toque dos teus lábios
do toque da tua língua
do toque do teu olhar
do toque do teu corpo
do toque do teu sexo
do toque do teu rosto
do toque do teu amor
do toque dos teus dedos
do toque dos teus cheiros
do toque dos teus sons
do toque dos teus sorrisos
do toque do sono
do toque do lençol
do toque do presente
do toque de ti
a cada manhã de acordar

Pedro


porque a vida só vale a vida que é feita vida mudança
entre vida corrida e flor garrida esperança

Pedro


uma dor de quem me tenha
minha
diminuída no partilhar

a tua dor que eu viva
encontro
de momento de amar

Pedro


quando a chuva cai
como cai a chuva que cai
que cai como a chuva que cai

há uma chuva
imensa
entre um olhar
e um sorriso triste

Pedro

2010-06-22


disse a flor
à flor
flores

Pedro


o melhor de tudo
é tudo

Pedro


e o guerreiro cansado
deu passos lentos mas seguros

e riu-se
no olhar em que se perdeu

Pedro


vi agora um mupi bonito
com imagem e palavras
da edilidade lisboeta
um obrigado Saramago

ao mesmo que agradeceu
com um obrigadinho
não vejo que agora não chegasse
um outro obrigadinho

:-)

Pedro

2010-06-21


a rotina
precisa
de um espaço
um tempo
um gesto
um calor
um olhar
um sorriso
um acordar
um sentido
ideias
partilhas
e a palavra
amor

Pedro


estar calado é tão importante
como expressar o que não digo

Pedro


a filigrana do que me dizes
prenha-me meandros

Pedro


por debaixo do tampo de silêncio
o deserto é imenso

Pedro


só escrevo o que sinto
se não escrevo não sinto

Pedro

2010-06-20


supõe
o real
que bate
leve
como quem se inspira
em ti
e nesse bater
bate
com tempo
bate
por fim

realizas dor
incontornável

só tens que optar

dás-te ao sentir
ou finges que sentes

Pedro


sou marinheiro esquisito de palavras
naufrago
por onde leio ou escrevo
quantas vezes

insisto no retomar
do mar e palavras
que me afogam

um livro livros
de onde saí vivo
um poeta nu que me desnudou
de um jorge sousa de braga
aquilo afogou-me inteiro
e lançou-me à praia

comi areia
vomitei algas
e aos peixes disse nada
que era deserta
a falésia alta

de onde vim
o caminho que vi

não sei
não sei o que vi
não sei o que vejo

deixo ser-me só

Pedro


dizia-lhe
vai ser melhor
sabendo do talvez que saberia
dizia-lhe
vai ser melhor
como sabia
que não sabia o melhor que seria

Pedro


queria mandar uma carta por aqui
que estou contente
mando uma carta para ti por aqui
com remetente

Pedro

2010-06-19


do poema
o teu corpo
linhas
que me seduzem
as palavras rolam
e a língua as diz
como dizem corpos
em amor
meu amor

Pedro

2010-06-18


do silêncio que chega
chega que silêncio

Pedro


o vazio
está
onde já esteja

Pedro


a caixa
desencaixa
de que ar
a forma

Pedro


um compasso
só isso
eterno
desiderato

Pedro


a
voz
cala-se
que
voz
se cala
a
voz
que
sois

Pedro


entrega-te
deixa
ir o tempo que é
do tempo que foi
és
o tempo que serás

Pedro

eu


assim o tempo absorve
tudo o que morre

há um morrer eterno
outro ressuscitado

depois de morto que vivo
de que morto vivo

Pedro


poeta sou
que sei
eu
de que
poeta
seja

Pedro


há um grito sem dor
lento
sussurrado
entre forma geometria
grita grito
depois ri
o grito a fazer de dor
dor entranhas
alegria
dor
disfarce
que fazias

Pedro


verdadeiro
dentro
essencial
eu
universal

Pedro


ir
por aí só
ir
de regresso não conhecido
ir
contigo
ir
por uma vida
ir

Pedro

2010-06-16


foi que te pergunto
mimo
com o tom que conheces
conhecem os nossos passos
caminho
os passos que conheces

são os afagos que sabes
afagos como carícias
passos entre caminhos
dos sorrisos que sabes

Pedro


quanto muito é a escrita
do que há por escrever

muito o quanto que é ler
do sentir que é escrever

Pedro


quando a palavra se lê
sou eu que leio
ou a palavra que lê?

Pedro

2010-06-15


todo o tempo é temporário
entre mim e que ideário

Pedro


há um texto contexto com texto
que despercebo entendo
como filigrana de letras infusão
o tempo deixa que assente
lento devagar partículas de sentido

Pedro


que dias são os teus olhos que passam
que olhos passam que são os teus dias

Pedro


como dias são os teus
sorrisos
como dias que passam
são os teus
olhos
como dias cheios que são
sorrisos
como dias achados
são os teus
olhos
dias que passam achados que ficam cheios

Pedro

2010-06-14


que palavras escrevo que leio
que escrevo que leio
entre palavras ouvidas
entre palavras corridas
entre palavras os sons
significados almas
o sentir eu
sentido de palavras

Pedro

2010-06-13


voo o físico pensamento tão em ti
que me sinto em ti físico para lá do pensamento

Pedro

2010-06-12


que distância curta
entre o ar que nos toca

Pedro

2010-06-11


procuro tão só
forma e significado
não só o significado
nem a forma só
só a forma significado
de algum significado

Pedro

2010-06-10


deixo-me ir
que não paro
agora

como não ir
sem parar
por onde ir se vai
como quem vem

Pedro


quando te sinto
à pele
o toque
quando
esse sentido
à pele
o toque
tanto
esse amante
na pele
no toque
manto

Pedro


o tempo parece ser
insistente
quando de ti aparto
no existir por
encanto
entre ser e enquanto

Pedro

2010-06-09


amanhã vejo-te com olhos de saudade
como te vejo agora com olhos de saudade
à distância de um beijo instante
à distância de tempo instante

Pedro

2010-06-08


que silêncio está
no olhar
dos amantes

Pedro

2010-06-07


a subtileza de uma palavra
e outra e outra e outra
é que às vezes
basta nenhuma

Pedro


doces
beijos
roubados
doces
gulosos
provados

Pedro