2010-06-20


sou marinheiro esquisito de palavras
naufrago
por onde leio ou escrevo
quantas vezes

insisto no retomar
do mar e palavras
que me afogam

um livro livros
de onde saí vivo
um poeta nu que me desnudou
de um jorge sousa de braga
aquilo afogou-me inteiro
e lançou-me à praia

comi areia
vomitei algas
e aos peixes disse nada
que era deserta
a falésia alta

de onde vim
o caminho que vi

não sei
não sei o que vi
não sei o que vejo

deixo ser-me só

Pedro

1 comment:

Benjamina said...

Muito bom!

Um abraço