hoje utilizei um verbo
que se diz pouco usado
utilizei reciproco
com o verdadeiro sentido de usar
o presente do indicativo
do verbo reciprocar
mandaram-me votos de boas festas
e eu educado
obrigado e reciproco
com o pouco uso do verbo
eu sem culpa
ainda o gajo se acha insultado
Pedro
2012-12-14
2012-12-05
2012-12-02
2012-11-20
2012-11-19
2012-11-16
2012-11-15
2012-09-03
2012-08-31
2012-08-21
2012-08-14
2012-08-13
2012-08-12
2012-08-10
2012-08-09
2012-08-06
2012-07-28
2012-07-21
2012-07-16
2012-07-09
2012-07-08
2012-07-07
2012-07-06
2012-07-04
2012-07-02
2012-07-01
2012-06-30
2012-06-22
a realidade vem devagar como quem não quer a coisa e faz-se por entre o que há e o que não há sempre muito devagar tão cheio de lentidão que não se dá por ela e um dia acorda-se como se foi um rijo corpo de tudo que é nada e nesse momento a consciência será outra que a realidade talvez valha a pena quando percebemos que existe para a vida mas isso é outra história para a qual é preciso estar vivo
Pedro
2012-06-21
2012-06-17
2012-06-16
2012-06-15
2012-06-13
2012-06-12
2012-06-11
2012-06-10
2012-06-09
2012-06-07
2012-06-06
2012-06-05
2012-06-04
2012-06-02
2012-05-30
2012-05-29
soltas
ou nem tanto;
çoltas
se tanto
uma docente:
"... lançem na secretaria as notas ..."
outra docente:
"... o processo é mais sólido se podermos contar com ..."
um aluno, sobre as idades dos utilizadores de um sistema:
"a estatura das idades"
outro aluno:
"as funcionalidades do comando manteram-se"
e outro:
"A conjectura económica veio atrasar a «onda verde»"
noutra interacção, digo ao aluno:
"... isso é uma questão de somenos ..."
e ele:
"- o que quer dizer somenos? é uma expressão que nunca ouvi"
a língua transforma-se
dinamicamente
numa çerta forma de acim
inicio-me nalguma desesperança
coisa de
desespero
sem esperança
nesta conjuntura conjecturo
que não é de somenos
se pudermos manter a estatura da língua,
esperando que não se lançem
desaliçerces
Pedro
2012-05-26
2012-05-25
2012-05-24
2012-05-23
2012-05-22
2012-05-21
2012-05-20
2012-05-19
2012-05-18
2012-05-17
2012-05-16
2012-05-15
2012-05-14
2012-05-13
2012-05-12
2012-05-11
2012-05-10
2012-05-09
2012-05-08
2012-05-07
2012-05-06
2012-05-05
2012-05-04
2012-05-03
2012-05-02
2012-05-01
2012-04-30
2012-04-29
2012-04-28
2012-04-27
2012-04-26
2012-04-24
2012-04-23
2012-04-21
2012-04-12
2012-04-07
2012-04-05
a tua voz, revisitado
a tua voz
acalma-me o cansaço
refaz-me o sorriso
preenche-me o espaço
de não estar contigo
num longo abraço
Pedro
2012-04-04
2012-04-03
2012-04-02
2012-04-01
2012-03-31
2012-03-29
2012-03-28
2012-03-21
2012-03-11
à luz do luar que vi eu
vi uma mulher sentada
a pele branca descoberta
a toalha nas mãos de prata
da cintura fina às nádegas
do corpo as sentidas curvas
fazem-na formosa e segura
descoberta e cheia de graça
à luz do luar que vi eu
era uma mulher sentada
tão linda que o mundo espanta
tão linda que o mundo pára
Pedro
e uns empréstimos do Luís
2012-03-02
2012-03-01
2012-02-29
2012-02-24
2012-02-23
eu e o Zeca
falando dele
eu estive sentado ao lado dele
foi numas termas
cada um no seu aerossol
eu era um miúdo
e ele crescido
a D. Helena assistia-nos
e a sala estava vazia
Pedro
2012-02-22
2012-02-20
2012-02-18
2012-02-17
2012-02-14
2012-02-08
2012-02-07
Algo me diz
que este dia
te seja feliz
sendo hoje (e sempre!)
mais que nunca o dia
de ser petiz :)
para a Amélia
Pedro
2012-02-06
2012-02-05
2012-01-17
2012-01-16
2011-12-18
2011-12-05
2011-11-27
2011-11-26
2011-11-24
2011-11-13
2011-11-12
2011-11-10
2011-11-08
2011-10-28
2011-10-08
2011-10-01
2011-09-29
a maggie mandou-me um email
sobre abraços e carinhos
os abraços gratuitos
por essa Europa fora
respondi-lhe
estou com um humor de cão
o responsável é o galo da vizinha
que desde as 5 da matina
todos os dias
não se cala
e é pontual
todos os dias
às 5 da matina
e se lhe fosse dar um abraço
que o esganasse de amor?
depois partilhava bem humorado
um arroz de cabidela amoroso
Pedro
2011-09-27
2011-09-09
2011-09-05
2011-08-21
2011-08-16
2011-08-15
2011-07-14
2011-07-13
2011-07-04
2010-10-26
2010-10-21
2010-10-17
2010-10-13
2010-10-12
2010-10-11
2010-10-10
2010-10-09
2010-10-07
2010-10-06
2010-10-05
2010-10-04
2010-10-03
o governo mente
e de repente
o sol deixou de brilhar
os arautos da desgraça
que não tinham razão
afinal
só tinham razão
não é o governo que vai nu
é o governo demente
que já não desmente
pois que sempre mentiu
e agora mais mente
por mais quanto tempo
oh gente
Manuela, volta
estás perdoada
perdoa-se-te a má pose
a figura pouco abonada
a gaguez de alguns discursos
perdoa-se-te tudo
volta
que não te queria dar razão
mas que Deus me perdoe
és bem capaz de ter razão
"e até não sei, se a certa altura, não é bom haver seis meses sem democracia, mete-se tudo na ordem e depois então, venha a democracia"
esta porcaria precisa de ordem
precisa de quem não mente
de quem não se abotoa
precisa de gente
esta gente
não é boa gente
Pedro
2010-09-30
2010-09-26
2010-09-24
vinha no metro a olhar as pessoas que saíam e entravam nesta sexta de noite e as pessoas são todas iguais aqui e em qualquer lugar quer se queira quer não entre estas e Portugal os sorrisos são os mesmos uns são muito tristes e outros que tristes são entre uns poucos o rosto calmo e nisso os tristes são mesmo tristes em Bruxelas ou noutro lugar a tristeza é universal
Pedro
2010-09-22
2010-09-20
2010-09-06
fico péssimo quando te vais embora
as saudades começam antes de partires
ainda estás presente e já te sinto a falta
é uma parvoíce que não consigo evitar
tento estar sorridente
alegrar-me
mas tu notas sempre
perguntas-me porque estou triste
respondo-te que estou cansado
quando voltaste a perguntar
não te menti
disse-te
fico sempre com muitas saudades tuas quando partes
também fico com muitas saudades tuas
mas ainda aqui estou
e vamos estar juntos nos santos
a tua alegria contagiou-me
e os últimos dias foram melhores
as saudades que me fazes
Pedro
2010-09-03
2010-08-31
2010-08-30
2010-08-29
2010-08-26
2010-08-18
2010-08-13
2010-08-12
2010-08-11
2010-08-08
2010-08-07
2010-08-06
2010-08-05
2010-08-03
2010-07-28
2010-07-26
2010-07-25
2010-07-24
2010-07-23
2010-07-21
2010-07-19
2010-07-18
2010-07-17
2010-07-16
2010-07-15
2010-07-14
2010-07-13
2010-07-12
2010-07-11
2010-07-10
2010-07-09
2010-07-08
2010-07-07
2010-07-06
2010-07-05
2010-07-04
2010-07-03
2010-07-02
2010-07-01
2010-06-29
querido diário
ontem à tarde o meu pai levou-me a passear
fomos ver um cabo
e lá estavam pegadas de dinossauro
que se viam muito mal
mas o meu pai disse
estás a ver aqui, diz que estão as pegadas ali
eu já estava farto, queria ver o big bang
e o meu pai disse
aproveita este ar
e depois voltámos para casa
que ele também queria ver o big bang
filho
2010-06-28
2010-06-27
2010-06-26
2010-06-25
2010-06-24
2010-06-23
lembro-me
do toque da tua pele
do toque dos teus lábios
do toque da tua língua
do toque do teu olhar
do toque do teu corpo
do toque do teu sexo
do toque do teu rosto
do toque do teu amor
do toque dos teus dedos
do toque dos teus cheiros
do toque dos teus sons
do toque dos teus sorrisos
do toque do sono
do toque do lençol
do toque do presente
do toque de ti
a cada manhã de acordar
Pedro
2010-06-22
2010-06-21
2010-06-20
sou marinheiro esquisito de palavras
naufrago
por onde leio ou escrevo
quantas vezes
insisto no retomar
do mar e palavras
que me afogam
um livro livros
de onde saí vivo
um poeta nu que me desnudou
de um jorge sousa de braga
aquilo afogou-me inteiro
e lançou-me à praia
comi areia
vomitei algas
e aos peixes disse nada
que era deserta
a falésia alta
de onde vim
o caminho que vi
não sei
não sei o que vi
não sei o que vejo
deixo ser-me só
Pedro
2010-06-19
2010-06-18
eu
assim o tempo absorve
tudo o que morre
há um morrer eterno
outro ressuscitado
depois de morto que vivo
de que morto vivo
Pedro
2010-06-16
2010-06-15
2010-06-14
2010-06-12
2010-06-11
2010-06-10
2010-06-09
2010-06-08
2010-06-06
2010-06-05
2010-06-04
2010-06-02
de que sons saudades
toca uma tecla
tão só somente
que de entre o só
que seja o som somente
seja o som semente
de sons entrementes
entre um som somente
e outros sons sementes
entre um ou outro som
não te faltarão sons
Pedro
2010-05-12
era magro, postura inteira, sabedor
até lhe ser pedida informação factual
quando os passos seguiram o barro original
de castelos olimpos raios poderosos
grãos areias as cartas os baralhos
vi-te o olhar perdido em que queda
de verdades o conhecimento osmose
alma minha ou tua que partida
de que fôlego o tempo virtuoso
alma feita de tempo sincopado
vida o sopro da alma animare
Pedro
2010-05-05
a vida o tempo o espaço
a vida o tempo o espaço
vão ao ritmo de um minuto
a cada vez que deixo os segundos
distraídos a juntarem-se
às vezes suspendo o pêndulo
e fico a ver o tempo parado
um fôlego um suspiro o gesto
o olhar a surpresa de sentir
depois o tempo continua
aparente o mesmo diferente
tudo é como fazemos
tudo passa por nós
o eu o centro de ti
o eu que é em si
Pedro
2010-04-28
2010-04-27
caríssima
por esta informo o que já deve saber
do prazer imenso que é o prazer
de abrir o livro as páginas de ler
todos os dias novo o corpo de ler
Pedro
2010-04-23
2010-04-22
2010-04-21
2010-04-19
2010-04-18
2010-04-13
2010-04-10
2010-04-09
2010-04-07
Sinfonia eroica, composta per festeggiare il sovvenire d'un grand'uomo
by Ludwig van Beethoven.
A estreia pública foi a 7 de Abril de 1805
gosto muito
e recomendo
o DVD da BBC a recriar a estreia privada é fabuloso
gosto muito
e recomendo muito
tem uma forma de realização revolucionária
brilhante
não sei se comparável ao brilhantismo revolucionário da Eroica
mas muito muito
interessante
ver e ouvir estes objectos extraordinários
faz a alma reviva
Pedro
2010-04-02
2010-03-31
sobrescrito
que piada tem não reinventar
que piada tem inventar
que piada tem
tem tanta piada
mas tanta que tem
pegar num sobrescrito
e escrever sobre escritos
Pedro
2010-03-30
2010-03-29
2010-03-28
2010-03-27
ouvido absoluto
não vejo notas
não ouço letras
nesse absoluto de ouvir
que não tenho
chegam-me as palavras que se constroem
entre um tímpano e outro
ressonâncias
palavras que sinto
Pedro
2010-03-25
entreamor e outro e outro
as palavras são ditas num tom
que palavras são ditas que disseste
as palavras que dizes são tão bom
as palavras nos sons dessas palavras
as palavras as palavras
as palavras que perdidos são os sons
as palavras que entre ti me são eu
as palavras que palavras que palavras
as palavras sem palavras outros sons
Pedro
blonde crepe revisited
entre um crepe e outro
que olhares atravessámos
que foram entre olhares
outros olhares cruzados
Pedro
hombre
de que ombro a hombridade
de ombrear equiparado
às gentes que sossegue
de crepes o custo estiolado
Pedro
2010-03-24
há
há mais para lá do ar
mais para lá do mar
mais para lá do vento
mais para lá do olhar
mais que entre tanto
o mais é tão tudo
mais que entretanto
o tudo é tão mais
Pedro
a blonde crepe
e se um crepe bom sabe bem
companhia interessante sabe como?
o crepe era louro
a condizer com a companhia
nice seeing you there
nice meeting you there
don't be shy
let's do it again
in a spot nearby
:-))
Pedro
2010-03-20
amo-te
de manhã
energia
molhada
redobrada
amo-te
à tarde
à noite
sempre
amo-te
amor
amo-te
sempre
Pedro
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soro
para onde quer que se olhe em volta
o branco é plano
até ao limite dos limites
onde as montanhas circundam
e o céu acaba
no fundo só há um ruído
quase pouco ouvido
um som baixo ofegante
a respirar
a única vida
no Vale da Morte há vida
enquanto se vê
o Vale da Morte
caminhei passos curtos longos
no Vale da Morte
um vale a norte
Pedro
2010-03-19
2010-03-18
luz
luz
e tudo se resume
em excesso
por defeito
a luz que molda
é tudo efeito
é tudo feito
por
com
essa
luz
e na ausência
memória
Pedro
2010-03-09
2010-03-03
2010-03-01
2010-02-27
corres-me adentro
à superfície
ao longo
a carne
a pele
corres-me olhos
lábios
boca
língua
corres-me sorrisos
sorrisos
sorridentes
corres-me sensações
calor
corres-me como te corro parados corremos
Pedro
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soro
nada é mais real que tocar-te
quando realmente acredito
da improvável certeza
de ter-te a tocar-te
Pedro
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soro
um poema de amor é uma contradição
em cabendo o amor no poema
que amor é
o poema
que amor
um poema de amor é uma contradição
em cabendo o amor no poema
que amor é
que amor
o poeta
Pedro
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2010-02-26
numa manhã de manhã
fazia sol
as janelas corridas
fazia sol
de olhos fechados
fazia sol
entre os lençóis
fazia sol
o calor que nos fazia
Pedro
Labels:
soro
2010-02-25
encontro
antecipo o primeiro beijo do encontro
frémitos
do que as mãos se digam
presentes
os beijos ecos
húmidos
cegos os beijos cegos nos beijos
antecipo o primeiro beijo do encontro
do que as mãos se digam
os beijos ecos
frémitos
presentes
húmidos
cegos os corpos cegos nos corpos
antecipo as mãos no encontro
do que os beijos se digam
os corpos ecos
húmidos
frémitos
presentes
cegos_nós__tão_cegos_em_nós___cegos___nos___nós
Pedro
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soro
a propósito de escritos erotismos - ou não
se quisesse escrever erotismo
pensava em ti
como penso
no toque
que te escrevia
tocando-te
Pedro
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soro
isto é capaz de ser um desabafo
fico sempre perplexo com tantas palavras
quando poucas seriam suficientes
mesmo necessárias
para deixar ir o pensamento
de quem escreve
de quem lê
pelos caminhos do que sente
os caminhos de quem sente
pouco é tão mais muito
de no ler ser-se tudo
Pedro
a propósito de escritas que se alongam
que se alongam
num longo despropósito
e o desabafo pára aqui
que já é despropósito
Linhas
o meu silêncio
é da cor da sombra dos meus passos
eu Pedro desaparecido
sou aparentado de Pedro
com passos de entretido
em chão húmido (que a)travesso
fiz uma espécie de forma de livro
ou sonho de ser poesia
no desconto do princípio
de uma espécie de forma de livro
que seja um livro
se a substância não lhe for estranha
que talvez se estranha
que saber o desejasse que se entranha
Pedro
eu
espécie de larápio feito ladrão
sem pejo de usar
o que dos outros se lembre do alcance à mão
2010-02-24
esmero
fui e voltei
e levei
uma dose de esmero
com um sorriso nos lábios
e mãos em pressão
tanta
a fazer sofrer
para lá da compreensão
- estou a esmerar-me, não é?
- sim - respondi, entre sofrido e riso
ah, que bom
que não há como ir e voltar
a fisioterapia na epicondilite a latejar
uma massagem profunda transversal
e aprender
o gozo de uma tendinite
Pedro
2010-02-22
2010-02-21
2010-02-20
2010-02-18
2010-02-16
máscaras
quantos sorrisos
quantos esgares
quantos risos
quantos olhares
da alma a janela
da alma a face
da alma a carne
da alma a tarde
Pedro
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