2010-03-31


há momentos
que parar
não é opção

há momentos
que olhar
é adoração

Pedro


é deste prazer que gosto
descobrir
ao que seja coberto
fazer dele des coberto

seja uma palavra
seja um som
seja um olhar
seja um tom
seja um sussurro
seja um encanto
um carinho
o teu espanto

Pedro

sobrescrito


que piada tem não reinventar
que piada tem inventar
que piada tem
tem tanta piada
mas tanta que tem
pegar num sobrescrito
e escrever sobre escritos

Pedro


quero apenas duas coisas
a mim
e a ti
num tempo que pode ser sem fim

Pedro


num entre
e tanto
de entretanto
que entretanto
que entretanto

Pedro


há significados
irreais
e reais

Pedro

2010-03-30


lembra-te que te toco apenas
só e somente ao de leve
sem mais contacto que esse
leve
contacto ao de leve

Pedro


sentes o que te toco
que toco
só
tão leve

Pedro


é o limite do sentir
que nem um só beijo reflecte
esta forma de toque leve
no que toque de tão leve

Pedro


um beijo
depois outro
quantos mais beijos outros

Pedro


enconta uma palavra que te conte
quanto
e depois disso o imenso é mais que isso

da falta que se sente
imensa
maior que todo o tamanho imenso

Pedro

2010-03-29


paixão é só
a gota no copo cheio do amor
que jorra

Pedro


contrario o contrário
do verdadeiro
e do seu contrário

Pedro

2010-03-28


o teu sorriso
preenche-me
de vida
prenhe

Pedro


que novidade é essa presente
que não se sente
que se sente
como se fosse eternamente nova novidade
esse novo intenso carente
ser ausente
ser presente
a presença por instante breve saciada
a vontade
a vontade
do beijo sorriso tocado
o beijo
sorriso
amado

Pedro


do mar salgado
navegado
há vento que traz
neblina
névoa de sal cristalino
branco
por onde entrevejo
doce
brilho luminoso o teu
olhar

Pedro


um paradoxo
não é
um pensamento
coxo
mesmo que o paradoxo
seja
muito
coxo

Pedro


quando o olhar te encontra
olhar
duas partes de um todo
lágrima
que lábios sorris
a forma química
de um cloreto
de sódio

Pedro

2010-03-27


os encontros não são fortuitos
acontecem sempre
mesmo que o sempre
seja eterno

Pedro

ouvido absoluto


não vejo notas
não ouço letras
nesse absoluto de ouvir
que não tenho

chegam-me as palavras que se constroem
entre um tímpano e outro
ressonâncias
palavras que sinto

Pedro


vejo o instante do ritmo
em que consinto
o que sinto
o que sinto
no instante
exacto
exacto
exacto
em que sinto

Pedro


que fazes
ao tempo
que te consome
os dias
idos
antes
da chegada

Pedro


sabes
que as palavras
chegaram
num murmúrio
quente

Pedro


saudade
é quando estamos longe
que estamos perto

Pedro


vejo-te
tão perto
quando te sinto

Pedro


sentes
o que te digo
de longe
a longe
no perto
que nos
fazemos

Pedro


palavras que andam
sentem
palmilham
viajam
regressam
entre um e outro
os lábios
por dizer

Pedro


se
se
se
se quisesse
dizer-te
tudo
o que sinto
se
se dissesse
tudo
tudo
o que sinto
o que diria
que agora sinto
o que não consigo
dizer
dizer-te
tanto
o que sinto

Pedro


a viagem continua
como sentes que continua
a viagem reflexo
os reflexos
imagens
que imagens
nós

Pedro

2010-03-25

entreamor e outro e outro


as palavras são ditas num tom
que palavras são ditas que disseste
as palavras que dizes são tão bom
as palavras nos sons dessas palavras
as palavras as palavras
as palavras que perdidos são os sons
as palavras que entre ti me são eu
as palavras que palavras que palavras
as palavras sem palavras outros sons

Pedro


devagar
amar
com todo o tempo
tão depressa
amar
devagar

devagar

com todo o tempo

tão depressa

devagar


Pedro


à noite
de dia
agora
o tempo é todo
o tempo tudo
de amar amor

Pedro

blonde crepe revisited


entre um crepe e outro
que olhares atravessámos
que foram entre olhares
outros olhares cruzados

Pedro

hombre


de que ombro a hombridade
de ombrear equiparado
às gentes que sossegue
de crepes o custo estiolado

Pedro

2010-03-24

há


há mais para lá do ar
mais para lá do mar
mais para lá do vento
mais para lá do olhar
mais que entre tanto
o mais é tão tudo
mais que entretanto
o tudo é tão mais

Pedro

a blonde crepe



e se um crepe bom sabe bem
companhia interessante sabe como?

o crepe era louro
a condizer com a companhia
nice seeing you there
nice meeting you there

don't be shy
let's do it again
in a spot nearby

:-))

Pedro

2010-03-23


no meu amor
vivo

Pedro


toco-te a flor
à pele

Pedro


o que lembrar é sonho
o que sonhar é ver
no que ver é sentir
no que sonhar é viver

Pedro


de entre nós
que nós

Pedro

2010-03-20


amo-te
de manhã

energia
molhada
redobrada

amo-te
à tarde

à noite
sempre

amo-te
amor

amo-te
sempre

Pedro


é uma humidade seca
água salina extrema
que no Vale da Morte
ronda lenta a morte

não há silêncio
há silêncio
não há silêncio
só há silêncio

Pedro


para onde quer que se olhe em volta
o branco é plano
até ao limite dos limites
onde as montanhas circundam
e o céu acaba

no fundo só há um ruído
quase pouco ouvido
um som baixo ofegante
a respirar
a única vida

no Vale da Morte há vida
enquanto se vê
o Vale da Morte

caminhei passos curtos longos
no Vale da Morte
um vale a norte

Pedro


caminhei sobre sal
trago nas solas sal
ao som de passos sobre sal
perdidos no fundo de um lago seco de sal

Pedro


no Vale da Morte
o silêncio é tudo

Pedro

2010-03-19


depois da luz
luz

Pedro

2010-03-18


durmo-te
quente

Pedro

luz


luz
e tudo se resume

em excesso
por defeito
a luz que molda
é tudo efeito
é tudo feito
por
com
essa
luz

e na ausência
memória

Pedro

2010-03-09

dessa consciência o inconsciente


não penses

pensa
antes que penses

Pedro

2010-03-03

Faria


se pensasse
pensaria
com o que pensasse
o que faria

Pedro

2010-03-01

tempo


que tempo voa
o tempo que voa
que não voa o tempo
que o fazemos voar

Pedro

2010-02-27


para sempre
sendo
para sempre
curto

para sempre
sendo
para sempre
tudo

Pedro


no espaço de um tempo
entre
entre ti e eu tempo

Pedro


corres-me adentro
à superfície
ao longo
a carne
a pele
corres-me olhos
lábios
boca
língua
corres-me sorrisos
sorrisos
sorridentes
corres-me sensações
calor
corres-me como te corro parados corremos

Pedro


ouço-te respirar
onde te ouço
amar
o som curto
o som longo
que sons
amor
amar

Pedro


nada é mais real que tocar-te
quando realmente acredito
da improvável certeza
de ter-te a tocar-te

Pedro


às vezes acordo-me
para te sonhar

Pedro


um poema de amor é uma contradição
em cabendo o amor no poema
que amor é
o poema
que amor

um poema de amor é uma contradição
em cabendo o amor no poema
que amor é
que amor
o poeta

Pedro


à noite
ao romper da aurora
cheguei-me a ti
manso o calor que te senti

Pedro

2010-02-26


numa manhã de manhã
fazia sol
as janelas corridas
fazia sol
de olhos fechados
fazia sol
entre os lençóis
fazia sol
o calor que nos fazia

Pedro


ah como não ser
poeta de ti
ser-te
poeta

Pedro

2010-02-25

encontro


antecipo o primeiro beijo do encontro
frémitos
do que as mãos se digam
presentes
os beijos ecos
húmidos
cegos os beijos cegos nos beijos

antecipo o primeiro beijo do encontro
do que as mãos se digam
os beijos ecos
frémitos
presentes
húmidos
cegos os corpos cegos nos corpos

antecipo as mãos no encontro
do que os beijos se digam
os corpos ecos
húmidos
frémitos
presentes
cegos_nós__tão_cegos_em_nós___cegos___nos___nós

Pedro

a propósito de escritos erotismos - ou não


se quisesse escrever erotismo
pensava em ti
como penso
no toque
que te escrevia
tocando-te

Pedro

isto é capaz de ser um desabafo


fico sempre perplexo com tantas palavras
quando poucas seriam suficientes
mesmo necessárias
para deixar ir o pensamento
de quem escreve
de quem lê
pelos caminhos do que sente
os caminhos de quem sente

pouco é tão mais muito
de no ler ser-se tudo

Pedro
a propósito de escritas que se alongam
que se alongam
num longo despropósito
e o desabafo pára aqui
que já é despropósito

Linhas


o meu silêncio
é da cor da sombra dos meus passos

eu Pedro desaparecido
sou aparentado de Pedro
com passos de entretido
em chão húmido (que a)travesso

fiz uma espécie de forma de livro
ou sonho de ser poesia
no desconto do princípio
de uma espécie de forma de livro

que seja um livro
se a substância não lhe for estranha
que talvez se estranha
que saber o desejasse que se entranha

Pedro
eu
espécie de larápio feito ladrão
sem pejo de usar
o que dos outros se lembre do alcance à mão

2010-02-24

esmero


fui e voltei
e levei
uma dose de esmero

com um sorriso nos lábios
e mãos em pressão
tanta
a fazer sofrer
para lá da compreensão

- estou a esmerar-me, não é?
- sim - respondi, entre sofrido e riso

ah, que bom
que não há como ir e voltar
a fisioterapia na epicondilite a latejar
uma massagem profunda transversal
e aprender
o gozo de uma tendinite

Pedro

2010-02-22


há um ritmo pedido
nas palavras
pelas palavras
entre uma
e outra
linha
que o ritmo segue
e faz
-se
nisso musical

Pedro


não sei se sentirás alguma vez o que sinto
e se sentires
como
dizer o que sentimos

Pedro

2010-02-21


hoje dei com um silêncio
que me falou
por entre linhas lidas em silêncio
atónito
o silêncio
e eu

Pedro

2010-02-20


sentir é uma multidão

Pedro

2010-02-18


um segundo
disse
um segundo
primeiro

depois secundaram-se

Pedro

tempo


não é o tempo que me escapa
sou eu
entre o tempo que me escapo

Pedro

2010-02-16

máscaras


quantos sorrisos
quantos esgares
quantos risos
quantos olhares
da alma a janela
da alma a face
da alma a carne
da alma a tarde

Pedro

2010-02-15


escapa-se a lebre ao caçador
como se escapasse da morte
escapa-se-me o sentido do tiro
dessa direcção como sorte

se numa direcção dois sentidos
diria eu talvez "escapasse-me"
se me escapasse o sentido
numa direcção sem sentidos?

Pedro
:-)

2010-02-14

personagem


o personagem estava dividido
quanto à natureza da personagem

foi à priberam dicionário
e leu
personagem | s. f. ou m.

ficou na mesma
a ignorância personificada
se na disjunção seria hermafrodita

Pedro


não sou eu
é ele
no reflexo
de mim
que não reconheço
em mim

estas fases reflexas
recursivas
elusivas
consomem a energia do infinito
até onde o infinito se esgota

os espelhos
paralelos
cansados
parados
nada dizem
depois de trezentos mil quilómetros
e um segundo

Pedro


um entendimento escapasse-me
no que leio de palavras dessentidas
de alma perdidas

a escrita é obrigatória
em forma e vida

Pedro


as palavras desabitadas
à procura de papel
lembram gente amordaçada
à procura de amor

Pedro

marinhagens palavras afins


li uma frase
batida
em castelo

tão firme
que nele
as palavras
amuradas

despediam
p'lo vento
palavras
de si

Pedro

são leituras


quando leres
diz-me
que leste
o quê
por entre o que leste
o quê
que leste

é assim tão difícil
ler
a entrever do sentir

Pedro


as palavras
nas entrelinhas
invisíveis
fascinam-me

Pedro


gostar é tão redundantemente pequeno
como amar é redundantemente infinito
a sentir
sem medir

Pedro

namorados aos dias e dias de namoros


o namoro não o vejo como namoro
o namoro vejo-o como namoro
o namoro vejo-o como
o namoro vejo-o
o namoro
vejo-o
como um beijo
sem fim
sem sufoco

Pedro


horizontes
reflexos
ali mesmo
e mais além

Pedro

2010-02-09

lembro-me


lembro-me de coisas que me apetecem, de coisas apetecíveis,
de coisas, pertos e perto, a falta que sinto, de que sinto faltas,
espaços apertados a espaços, espasmos, como risos, os risos,
sorrisos cantados

apetecem-me sorrisos de que me lembro
apetece-me lembrar
mais me apetece o que me lembro

Pedro

faz um frio que branca tudo


à noite numa hora tarde
neva brancamente neve iluminada

cá dentro
o calor
do olhar
em ti
deito-me tarde
assim
o pensamento em ti

Pedro

2010-02-08


destino
esse traço
do eu

Pedro


olha o tempo que passa
sem que passe
o teu olhar

Pedro

2010-02-07


sentir não é só um privilégio
aprende-se
depois do cansaço de não sentir

Pedro

2010-02-06


quando te beijo
é um sorriso vivo
que vivo por inteiro
quando te beijo beijos

Pedro

2010-02-05

digestivo


assim como assim
que como
assim

Pedro

sorrisos



foi bonita a festa pá
estou contente
e que outras festas pá
somos pela frente

Pedro
obrigado pelo empréstimo
pá
Chico Buarque

2010-01-25

o tempo que é


é um compasso
passo a passo
esse passo
que passo é
uma estação
uma estrada
um caminho
uma via
um tempo
de vida
o tempo
que via
o tempo de ir e voltar
o tempo de acontecer
o tempo descoberta
ciclo tempo de ser

Pedro

2010-01-24

Inês de Medeiros


vai Inês formosa
e que segura

na carteira o ouro
paga certa atempada
de representante do povo
que anda de cara parva;
ela que habita Paris
vem a Lisboa num triz
quando estala o verniz
de saber do porquê
dessa origem o jaez
de coisa assim como roubo
de ser um pobre País
a pagar vida de rei

na fábula era o rei
aqui vai o País nu
sem dinheiro para a tanga
há dinheiro para Paris

vai Inês formosa
e que segura
na carteira o ouro
representas que povo?

Pedro

2010-01-23


viver-me o tempo de dentro faz-me isto de marulhar-te ao ouvido um tempo rico

ah como esta riqueza é tão de graça que é toda a riqueza

Pedro

Serração II


Com o tempo vem a noção de perspectivas diferentes. Não é só o tempo de crescimento. Ou todos os tempos de crescimento. O da idade, que o tempo impõe. O de dentro, que nos fazemos.

Em nuances não adivinhadas havia limites impostos, poucos, sem controlo, mas eficazes. Lembro-me de me ouvir gritarem, poços. Numa terra onde água sinonimava poço, com mais ou menos muro, quantos sem, ou tão baixos que era o mesmo, andar livre, correr, poços e terra recorrentes, a palavra poço marcava vida, marcava morte, no reflexo da água o céu, azul, nuvens, eu, e os fantasmas de todos os afogados.

Na casa da tia Lucinda o poço estava à porta da cozinha. Descidos os degraus, dois, balde atirado, a queda ao fundo, o splahsh na água, tentativa de boiar, os ferros de peso, tombava de lado, golfinhava-se de água, força na corda, força, a corda rija, força, a água ali. Na casa da Avó o poço estava longe. A água buscava-se na fonte, pública, ao fundo da ladeira, maldita quando subida a vasilha cheia.

- Ah nino, a talha está quase vazia, vais acartar umas infusas dauga, sim?

Adivinhava-se o corpo dorido. Caretas para dentro escapavam para fora. Oh Vó... Suspiro. Nunca se dizia não.

Pedro

2010-01-22

do tempo escravo fugia


quando o tempo nos passa
não ao lado
por entre
que tempo nos passa
que tempo nos é

ah que gostava de ser tempo

não sei o que fazia
se fazia
se sentia
mas desera escravo do tempo
ou maior escravo seria
em acreditando
que mais escravo é
o amo que o escravo esvazia

Pedro

2010-01-21

Serração I


Lembro-me de um grau de liberdade sem fim. É possível? Sem horário, sem local, sem meta, sem rota, ao impulso do instante. Liberdade inteira. É do que me lembro.

Saía sem me perguntarem onde ia. Andava por onde me apetecia. Com mais ou menos escuro, no céu, voltava. Ao outro dia repetia o dia. Andava, lembro-me de andar, corria pelas fazendas, os sapatos a enterrarem-se, a terra seca revolta, de arados, e por entre tabuleiros, e tabuleiros, os figos ao sol, moles a secar, espalhados, a cor que mudava, com o tempo, e o cheiro, forte fortíssimo. Não me lembro de companhia.

Com fome assomava à porta de quem fosse, perto, à hora que fosse. Pedia comida, bebida. Davam-me sempre. Havia sempre. A deshoras. A horas. Lembro-me de perguntas a que não respondia. Menores.

- Ah nino, a tua mãe sabe por onde tu andas?

A esta respondia sempre.

- Sim.

Pedro

2010-01-20


que linhas
tortas
seguimos
linhas
esperadas
direitas

Pedro

2010-01-19


faça-se
vivo
o poema
a pose dita extrema
a ser-se palavra verbo
o sujeito predicado
rima de sons às cores
formas de sentir olhado
sabores e beijos o lábio molhado

Pedro

2010-01-18

um dia


Olha que não sei. Não sei porquê, a coisa, a causa. Seguimos. Foi uma vontade de apetecer. Há partilhas que não se perguntam, vivem-se. Concordas? Disse-te vou levar-te a um lugar não faças perguntas. E cumpriste. Eu cumpri. Vivemos o tempo do espaço. Não sei como
há espaços que nos transportam onde não somos
Que coisa essa é que me leva me faz, isso que referiste dessa recorrência sobre as minhas palavras do espaço, aquele espaço, que não noto, que não percebo como seja a minha insistência no discurso oral do lugar, as vidas os cheiros os sons
cada lugar vive um tempo
Eu não sei o que o lugar me fez que me faz memória dele
É uma estranheza que me espanta
e no teu reflexo, no que me fazes ver de mim, chego-me de outro modo
disse-te
não sei nem o como nem o quando
um dia será que farei alguma coisa disto
um dia
Olha que sei que mostrar-te o lugar
falar-te dele no silêncio do vento
as paredes do abandono
às silvas a terra mole húmida
sei
um dia

Pedro

2010-01-17


um afecto
dois
carinhos
a dois

Pedro

2010-01-16

do tempo


linha a linha
espaço a espaço
o passo
que palavras passo
o tempo de um espaço

Pedro

2010-01-15


que bom que é
não saber
do caminho livro
p'ra ler
do trabalho oblíquo
p'ra ser
do tempo objecto
p'ra ter
dessa coisa olhar
p'ra ir
não por aí
não por aqui
ir sem ir
ficar sem ficar
viagem completa
um lado luar

Pedro

2010-01-14


por um dia só
à beira de um silêncio
o tempo
de brilho calmo lento

Pedro

2010-01-13


quando sentires
o toque leve
afago doce
do beijo
em ti
isso é
que sentes
o que é sentir
amor

Pedro

2010-01-12


cai uma chuva miúda
espalha pingas na vidraça
arde um fogo na lareira
e o fogo arde amiúde
até à cinza completa
ciclo a vida fértil
terra, ar, chuva amor

Pedro

2010-01-11


vi-te a passar
como se não visse a passar

o gosto lento
de paisagem parada

o sorriso triste
de viagem adiada

o olá surdina
o espaço vago

passei que por ti passavas
silêncios no gesto do olhar

Pedro

2010-01-10

realização


sinto-me realizado profissionalmente
também talvez porque sinto e tenho investido
numa profissão muito descurada
pai

Pedro

2010-01-08

Maria de Lourdes Pintasilgo



Antestreia do documentário sobre Maria de Lourdes Pintasilgo
13/01/2010, 21h00, Auditório 2

O documentário é uma co-produção da RTP e conta com o apoio da Fundação Gulbenkian.

Estreia na RTP2 dia 16 de Janeiro às 21h00.

Pedro

2010-01-07

olhar


tens os olhos de criança
que te fazem os passos grandes

Pedro

que atravesso


o meu silêncio
na cor da sombra dos meus passos

Pedro

2010-01-06

vida


a todos os instantes morro mais um pouco

dou-me por feliz
dou-me por muito feliz
que a cada instante morro feliz

Pedro

2010-01-05

que amor


uma estranha forma de amar
é tão salutar
como um lento suicídio

Pedro

2010-01-04

um obrigado à "boleia" do Chico Buarque


olhos nos olhos, não quero ver o que fazes
olhos nos olhos, não quero ver o que dizes
olhos nos olhos, quero ver-te o olhar
olhos nos olhos, quero tanto feliz

Pedro

2010-01-03

à noite à noite à noite


à noite o tempo espera por mim
entre um tempo que faz
um tempo lento fugaz
tempo sem tempo
só o tempo
de paz

à noite o meu tempo é-me

Pedro

2010-01-02

passadas caminhadas


caminhei
tanto que caminhei
para mim
que para ti
caminhei

Pedro

2010-01-01

sabes


enquanto o tempo passa
saboreia-o
papilativamente
por onde te for melhor

Pedro

sem pressa


não tenhas pressa
o tempo espera sempre até ao próximo segundo

Pedro

primeiro


hoje fiz chá
de Natal

servido num bule
holandês
em cristal deles
com uma base onde leva a chama
para manter quente

a minha mãe fez-me saber a composição
do chá
não do cristal

o meu pai serviu-se copiosamente
no que não foi copiado pela minha mãe
estava muito quente o chá

e a chama fez vista
fez-se vista
olha a chama
disse o meu pai
e a minha mãe olhou

a minha filha também tomou chá
e lembrou-se dos chás na Finlândia
e dos chás em Londres
é poliglota de chás a minha filha
e eu babei-me de chá
e de filha
um babar muito paterno

o meu filho não é de chás
prefere
Uncharted 2: Among Thieves Unravels Mysteries
of Marco Polo’s Voyage

na Playstaion 3
enquanto beberricamos a espaços curtos
viagens virtuais e sabores
planetários

muito caseiro
este meu dia um

Pedro

ao longo do tempo


pus o relógio
abri a janela
saudei a luz
brilhante

chegaste à minha vida
hoje é um novo dia

Pedro

tempo


o tempo é
o que é
o tempo
de ser
descoberta
trânsito
travessia
que o tempo é
viagem
poesia

Pedro

2009-12-27

livro poesia amor


as páginas abriam-se paradas à espera
num equilíbrio como quem muda
num certo ângulo de ramo de flores
caules soltos unidos
a lombada sobre a madeira
o cheiro era a lareira
o calor fez uma brisa ligeira
eras tu
num beijo

Pedro

2009-12-23

uma farça farsa ou que raio de grala


eles não sabem que o sono
é uma constante da escrita
e sempre que um homem sorna
o mundo farça e avanca
como rola colorida
um revisor sem esperânça

da farça que grala
ao prelo sem grelo
uma farsa treta
uma farsa gralha?

Pedro
pois daqui http://aspirinab.com/valupi/a-literatura-e-uma-farca/

do ser


somos o que nos deixamos ser

Pedro

2009-12-21

Amélia



saiu esta semana, fresquinho
já tenho o meu
livro e cd

Pedro

2009-12-20

por entre o ar que não vês


o traço do olhar
esse contínuo
diz tudo
diz-te tudo
diz te tudo
olha como olha ele
o teu olhar
e sente

isso
amor


Pedro

do perto ao longe


uma linha
sentido
veias de sentidos
como entre sangue
vida

Pedro

2009-12-18

época fora


um doce
a silêncio
de tom
confuso
o tempo
acorde
de quente
recolho

Pedro

2009-12-12

do menos ao mais espanto


em jeito de confesso digo
como me vou entretendo entretido
desta aparente ou real
infinitude
variante
a linhas
o diverso
sem saber no termo o resto
onde fique o tempo
de um aqui o horizonte
tempo o sol posto

Pedro

espera


com vontade
de ti
de te
de me
ser

Pedro

entre


num frio seco
o Vodka vermelho
devagar
lento
bebido entre um olhar
guloso o sentimento

Pedro

2009-12-11

uma ideia


todas as ideias têm uma raiz comum
a sobrevivência
todas as ideias têm um caule comum
folhas
flores
frutos
sementes
comuns

as ideias são comuns
parasitas
sobreviventes

tantas coisas que as ideias comummente são

Pedro

2009-12-10

quando uma planta também é mais que um portal


no sentido literal
no sentido ambiental
floral
raízes
um também estado emocional

Pedro

e talvez madrugada ou 5 e um quarto


é cedo
a manhã adormece
cansada de não ser dia
ainda
bem
que é noite
cedo
ainda
ainda bem
que à noite
é noite
até ser dia

Pedro

2009-12-09

tempo


finamente recortado
contra o frio da rua
- je suis antiquaire, j'achète des antiquités, avez vous des antiquités à vendre?
- non
não lhe falei da tendinite
tem algum tempo
não tanto que seja antiga
ou que a considere antiguidade
mas nunca se sabe
interessaria a um belga antiquário?

Pedro

paralelos


um dia
sigo a luz
que te caminha
entre os passos sombra
elongadamente interstícios
filigranas emoção os pensamentos

Pedro

2009-12-08

Natal


há momentos que não sei como os vivo porque sendo novos não os identifico

como identificar o novo desconhecido?
por comparação, quase mímica, um sentir de antes

e o que terá sido o sentir primeiro? que seja memória aos poucos feita
para ir sentindo, recordando, viver
viver como memória de sentir antes? não sei, há alturas que não me apetece saber

sei que há momentos que não sei como os vivo porque novos
como ver uma imagem de uma árvore de natal especial
a árvore, o natal que se avizinha, a forma da árvore
o percurso da árvore, de como a encontrámos que nos encontrámos

o natal é isto

Pedro

que tempo


que tempo passa em mim de ti
que não é tempo
que não é
que é
que é um tempo
de ti em mim

Pedro

2009-12-07

sei


Sei o beijo que te dei, todos os beijos que te dei, tocados, no limite de serem beijos, envolvidos, os cheiros, vodka cranberry, licor de ananás, gelado a sabores de bolacha, cada beijo cheiro amor, cada gesto amor, cada gota amor

Lembro-me do beijo, de todos os beijos, lembro-me amor

Pedro

Equação


– Estás onde?
– Em X... Porquê?
– Nós estamos em Y, aguenta aí, vamos almoçar contigo!
– Doidos!
– Não é hoje que fazes Z? Parabéns! Chegamos às 2 e tal, esperas? Almoçamos contigo!

Há equações eternas. A amizade. O amor. E surpresas boas. Foi ontem. É hoje. Vai ser amanhã e sempre.

Pedro

2009-12-03

b&w


olhar
transviado
preto
acutilado
manchas
branco
rectângulo quadrado

Pedro
vê-se e recomenda-se

se soubesses


se soubesses
se soubesses

se soubesses o que és
água de outra sede
terra de um caminho
fogo no abraço quente
ar que a vida faz

se soubesses
se soubesses

Pedro

2009-11-30

à caça de raios e coriscos


parámos
para nos armarmos
caçadores
de coragem


aqui, em grande, eu digo soberba

Pedro

que problemas


chove
chuva que quase não é chuva
que se sentirá como
uma chuva quase não

terá a chuva problemas de identidade

Pedro

2009-11-29

esquerda ao contrário


- Ali, à direita.
- Ok, direita.
Em silêncio ocorre o contrário.
- Viraste à?
- Direita!?
O olhar incrédulo do contrário.

Por cruzamentos assim
que sejam só assim

Pedro

2009-11-28

passos


há passos nos caminhos
passos ao caminho
que passos
que caminho
que passos caminho

Pedro

2009-11-27

ser


um mais um quantos são
para lá do um e um que são

Pedro

2009-11-26

tempo


o tempo
nada
que é
tudo
o tempo
memória
que é
tudo

Pedro

tempo


no tempo escrevo
o que o tempo prova
da memória o tempo
de que outra memória

Pedro

2009-11-24

na margem do eu em ti


secos e molhados
de meandros os reflexos
caminhos beijos dados

Pedro

fire


don't light my fire
see the sky?
it's already on fire

Pedro

2009-11-20

sentes?


repete o acorde
tecla a tecla
refaz a nota
sincopa o sopro
uma oitava acima
até à oitava abaixo
suspende o sustenido
treme o bemol
tem-te ao ritmo
o ritmo
sentes?

Pedro

sem uma nota só


quero a minha palavra solta
como uma nota
vadia
sem canção
sem volta
só com ida
a palavra livre
de se entreter
enrodilhar
dedilhar
-te os cabelos

ah as palavras livres que te digo livres
enquanto pelos teus cabelos nos dedilhamos

Pedro

não há


não há amor como o primeiro amor verdadeiro
não há

é que não há

e essa certeza de não haver
é de saber como todos os amores anteriores
por mais verdadeiros
não foram de verdade

não há amor como o primeiro
não há
que o primeiro amor de verdade
sabe a mais que amor de verdade

Pedro

se


se o amor é ridículo
que as cartas são ridículas
deixa-me ser ridículo no amor por ti
ridículo a amar-te
tão ridículo aos olhos dos outros
que não sabem o que é amar

Pedro

2009-11-19

por todos os Skye a descobrir


travessias com chegadas
passagens e margens
partidas e reencontros
o ponto o longe o encontro

Pedro

beijo


um beijo
pétalas
de sonho

Pedro

2009-11-18

Amor


- É a ti que eu quero.
- O Amor é um acto voluntário, quero-te a ti.
Continuaram a amar-se.

Pedro

2009-11-17

recolector


recolho cacos pedaços de vidro
e cacos pedaços de vida
de quantos cacos a descoberta feita
de recolhas para um dia

Pedro
a propósito de "Les glaneurs et la glaneuse" de Agnès Varda

que rede


a rede pasta, o mail rizoma

queres trabalhar e esperas paciente
mesmo que infinitamente o aviso seja
um "Loading..." de tempo infindo
promessa de acesso instantâneo
quando se lembrar de acontecer

é irritante esta web mentirosa
começa-se-me a esgotar a pachorra

Pedro

viagem


navegar por ti
ir
do fundo que volto
viagem
em ti

Pedro

tu


o teu sorriso
o teu corpo
perco-me
afogo-me
regresso
incólume

Pedro

par



encontros são fortuitos
que fazemos acontecer

Pedro

mar da terra ária


num espaço que não é o tempo navegas à margem de uma terra vista entre memórias que o tempo flutua quando atravessas uma passada lenta um olá de sorriso entre novo e surpreendido o tempo suspenso faz-te o olhar

recordas o futuro que queres
o futuro
um barco de uma margem à outra pelo chão mar sem vento só o tempo de seguir em frente pelo adentro do olhar

Pedro

2009-11-16

janelas


o meu windows é tão empático
tão empático
que dá-me o sono
e ele crasha

Pedro

2009-11-15

μαιάνδρους


pelos meandros que vamos
encontramos o que vamos
descobrindo a descoberto
o valor que valores vamos
fazendo nascer do cálculo
ideia precisa aproximada
como pela infinita dízima
da circunferência pelo diâmetro
voltas desfeitas sinuosidades
de altos e baixos e mar chão
enredo que pede sequência
até onde a vida alcance
3.1415926535897932384626433

Pedro

pela noite que não era dia



segui-te
à janela
pela janela
segui-te
irrequieta
irrequieto o tempo
o movimento
segui-te
até ser dia
que o sol fez-te
que se fez

Pedro

a dia a dia em frente / vago o dia adiamento


quanta morte é precisa vida
que à vida se deixe a morte
ir seguindo seu pensamento
dia a dia vagamente

Pedro

palavra


digo a palavra mãe
sem sentir o que sinto
no limbo a mãe ser
no astro mãe limbo

Pedro

pois


faço o passo que sigo num desdigo ao sentido que enquanto o faço sigo o que faço dessentido

Pedro

era um gosto que não lembro


horas sem acordo
alimento a tempo
mais que para lá o espaço tempo

fosse o que era
o que era gosto
no tempo tempo esse suspenso

fluxo o ritmo
o corpo bomba
ferida passagem túnel natural

quanto aguentou
de morno a quente
da pressão o cordão umbilical

Pedro

um beijo


um beijo
e outro
outro ainda
e mais outro
porque um beijo
só um
sabe a pouco
mais que um

um beijo
e outro
mais beijos
é tão pouco
porque os beijos
tão só
são o pouco
de nós sós

Pedro

no tempo do som silêncio


quando o silêncio é
ouves mais o que é silêncio
quando o som é silêncio
o silêncio a ser som

Pedro

2009-11-12

quando eu era pequenino fazia um poeminha, agora quero ser grande e fazer um poemão


no uso da palavra
vez por outra penso
que abuso

há palavras
que palavras
tão bem deixadas em paz

ai que o uso da palavra
passava tão bem sem o abuso
do meu sentimentozinho
do meu sentimentozão
e variantes entre tão balalão

um dia quando for grande
quero ser uma palavra forte
ideia cheia segura e firme
como grave é a palavra muro

Pedro

2009-11-10

alergia alegria


um fio
fino
de voz

Pedro

2009-11-09

ILFORD


de entre o nevoeiro adenso
grânulos angulosos
do puxado revela o reverso
os poros luminosos

Pedro

coisas


de visita a Berlim do outro lado procurei uma recordação

já quase em desespero de causa vi a coisa, as coisas

ladies and gentleman,
as únicas, inigualáveis
inultrapassáveis, universais
as verdadeiras
bolas de Berlim



Pedro

2009-11-07

por um tempo aparente tão longe tão perto de tão bom


num tempo de que não sei o tempo
foste o que o tempo se fez
um tempo de ida passagem
a margem agora o lado
chegada a tempo feita
gosto a ver-te aqui
passos lado a lado

Pedro

por um caminho longo


o teu cheiro
o teu sorriso
o teu corpo
o céu bonito

as cores brilho
o tempo bom
brinde à vida
e beira-mar

Pedro

2009-11-06

quando o meu amor me fala e diz


diz-me as palavras que te ouço
arrebatadas
calmas
entrecortadas
respiradas
minhas as tuas palavras
que me dizes que te ouço

Pedro

hoje um dia cinza chuva


em dias assim
como este que se pinta cinzento
chego-me a um aconchego de café quente
num deixar ir que é quase morno
onde nasce um pensamento

a vida é mais do que a urgência
de não chegar à morte

Pedro

hoje dia assim de chuva


está cinzento o ar
o chão molhado reflecte
à janela difracto
pensamentos que penso

Pedro

hoje é dia meio de chuva


cai uma chuva miúda
espalha pingas na vidraça
arde um fogo na lareira
e em mim arde este fogo por ti miúda
que me sacia e acalma

Pedro

hoje a chuva nasceu assim


não pergunto
sequer questiono
dessa infinidade de gotas da chuva que me molha

porquê perguntar-me
da quantidade das letras
por algumas palavras que me jorram

Pedro

de brilhos intensos reflexos


brilhos
reflexos
serão fontes
amplexos

Pedro

2009-11-05

se te lembras foi no Continente


passas junto à criança
que olha para ti
o sorriso
feito
um brilho
que acompanhas
enquanto passas criança

Pedro

espelho


um espelho não mente
mostra o que os olhos vêem
o que a mente sente

Pedro

2009-11-04

eu


há notas que não ouço
quando me ouço diferente

Pedro

sono


parece-te bem, enrodilhado
pois a mim também
se for em ti

Pedro

quando


quando me enrodilho em ti é como se o tempo fosse só sem mais nada que o calor do teu corpo a que me chego me aconchego e adormeço sem saber que adormeço e acordo sem me lembrar de acordar e durmo num sossego de paz que me traz a paz que faz ao longo do sono do tempo do som respirado

é tão bom o sono enrodilhado

Pedro

tempo


quando aprendi a andar caminhei
quando aprendi a falar conversei
quando aprendi a pintar colori
quando aprendi a desenhar escrevi
quando aprendi os sons escrevi
quando aprendi as cores adocei
quando aprendi o eu fiz-me olhar

Pedro

2009-11-03

a janela


The Window, originally uploaded by Patiblue

a janela
aberta ao branco
colorida
fechada ao vento
aberta ao ar
a janela
aberta fechada
como um tempo
ido
que foi lamento

Pedro

2009-11-01

palavra


a palavra rolha
flutua
no sabor de que corrente

Pedro

2009-10-31

fotografia


amplio a imagem nítida
na memória lente
de foco saudade

Pedro

2009-10-30

fotografia


quando preto no branco
penso em ti
sonhos a cores

Pedro

2009-10-29

revelação


o banho morno
a tina cheia de meia
suavemente o embalo
do papel memória do tempo
revelas-te imagem
fotografia
que aos poucos te mostras
que imagem em mim
que imagem de ti

Pedro

a tarde a entardecer o dia


anoitece
entre a réstia do dia
feito dia até ser dia
a tarde a entardecer
o tempo de tarde
mais curto o dia

Pedro

2009-10-28

do passado interessa-me o que aprendo, ao futuro entrego-me e aprendo


quantas dores não sofri pelo que fui adentro no que me arrependi pelo que adentro deixei que fosse dor sem saber realmente se era dor pois como saber do desconhecido que só se sabe depois de aprendido

deixado o tempo e a distância correrem correram as águas pela ponte e abaixo dela ao longe a foz de mim em que desaguei enxuto de lágrimas de dores de pensamentos e temores de tudo que fiz à água que lavasse de tudo o que larguei além margens rio acima para lá do sol a nascente e quando me vi disse-me renascido pronto para renascer e devagar tão devagar fiz as margens serem o meu rio por onde naveguei livre pelo leito que me acolhe um peito quente vivo o peito da terra mãe eterna a vida que vivo vivo

Pedro

2009-10-26

no meu tempo


no meu tempo
quero um tempo em que um segundo é um segundo
no meu tempo
quero um tempo em que olhar-te é um olhar
no meu tempo
quero um tempo em que sorrir é sorrir-te
no meu tempo
quero um tempo em que passeio
no meu tempo
um passeio ao teu lado
no teu tempo
o meu

Pedro

2009-10-24

que palavra


entre letras ténue espaço
silêncios que pronuncio

quando me olhares os olhos
ouve o silêncio que digo

Pedro

que palavra


o encontro de letras
pela palavra
é como a vida do beijo

pelos lábios
súbitos húmidos desejos

Pedro

2009-10-22

pedaço pedacinho doce docinho quantos diminutivos com sabor a mais


um pedacinho
dois pedacinhos
mais um pouco de tempo de ti
um pedacinho
dois pedacinhos
mais um pouco de mim em ti

Pedro

partilhar


há partilhas que renascem quando partilhadas,
há partilhas renascidas partilhadas

se parece um estribilho, que seja, talvez seja,
mas é mais do que estribilho

há partilhas
que partilhadas
renascem
para lá do que se partilha
para lá do que se vive
para lá do que se pensa
para lá do que se sente

é que há partilhas
partilhadas
que são amor

Pedro

leve levemente como quem te beija assim


que peso tem o olhar com que me olhas,
o peso do meu olhar em ti?
o peso de uma almofada cheia de plumas
o peso de mil beijos nessas bochechas
mais o peso de carícias em cada uma

Pedro

por mais cinzento que o céu se pinte há sempre réstias e cores


a tristeza faz-me cinza
como se fosse azul
assim um estado blue
como sem norte nem sul

já o silêncio faz-me ouvir
os meus barulhos de dentro
que às vezes são ruído
e às vezes silêncio puro

Pedro

2009-10-20

entre passagem


imensidão tão imensa
como o longe ao fundo
sem do longe ser o fundo
sem no fundo ser longe

imensidão imensa
ao longe ao longe
que fundo ao longe
que fundo que fundo

Pedro

2009-10-19

oh espanto oh espanto!


oh espanto de beleza
esse sorriso de brilho
que o brilho ao teu lado
envergonha-se do teu brilho!

Pedro

quando estás de olhos quase fechados que não vês ou quase não vês


pé ante pé
devagarinho
lábios de beijo
mimo carinho

Pedro

um livro no início



uma página por escrever
com branco todas as cores
tempo para lá de ver
com tempo outras cores

Pedro

2009-10-12

sinto existo amo sinto existo amo-te


ah como é bom
sentir
do teu peito
afagos
como é bom
sentir
dos teus olhos
beijos
como é bom
sentir
nos teus lábios
sonhos
como é bom
sentir-te
em ti
amor

Pedro

dessas águas no caminho


um olhar regresso
regredido
como a ver o triste menino
no caminho à beira-mar
olhar do mar azul ao fundo
vindo do mar o azul profundo

caminhei em direcção a minha mãe
pelo caminho ao lado
apressado passo estugado
livre no tempo o regresso a passo

minha mãe que me pariu
labor de dor inundado
mundo luz espaço cortado
em que laço me fiz liberto

às águas me fiz não refeito
às águas o lanço sem efeito
o mar azul é povoado
de um só soluço afogado

areias marés correntes remos
marinheiro de mim navegado
chego-me o mundo atravessado a ti
anjo luminoso só infinitamente belo

Pedro

2009-10-11

quando quero ver fecho os olhos do olhar


não podes pretender ver com os olhos

iludem-te

cega-te a luz cega-te à luz
e segue a luz que não cegue

o olhar que vês é-te mais olhar
no olhar que vês dos olhos para lá do olhar

Pedro

se vou pela poesia é porque sou cego


não vejo
sou cego
apalpo palavras
como apalpo o vento
entre olhos que vejo
que não vejo olhos
na poesia desconfessos
o tempo regresso
do cego que fui
ao olhar regresso

Pedro

Paris


que Paris amo
como te amo a ti
que amo Paris
como te amo a ti
no intenso do belo
no perdido e belo
tempo em que te amo
como te amo em Paris
como te amo Paris
que te amo a ti
muito mais do que amo Paris

Pedro

ele há coisas que custam nada


recordo as agruras que passamos,
e antes também passámos,
a retocar o último detalhe que ultimo;
e já que falamos disto
lembras-te do que falámos?
no passado, que no presente falamos,
do intérprete que interprete,
ou que publica (de forma privada ou pública?)
o que quer que seja que ele musica,
música a gosto,
pois que no princípio,
umas linhas acima principio,
ou inicio nas linhas do início,
esta espécie de diálogo,
sem saber se dialogo,
para que possamos
sim, possamos, (póssamos não existe),
para que nos possamos
entender, ou quem sabe,
dialogar

não custa nada
é só um acento
um singelo traço só
que faz a diferença
para não se falar só...

Pedro

achegas:
passámos passamos
último ultimo
falámos falamos
intérprete interprete
pública publica
música musica
princípio principio
início inicio
diálogo dialogo
quem quiser que continue a lista...

também dou erros, ai se os dou, e tento não dar; a ouvir e a ler o que se vai escrevendo tento perceber... às vezes é difícil; eu só quero ler e perceber... às vezes é difícil

2009-10-10

a minha voz a tua voz


uma outra
duas
fugazes
palavras
curtas breves
eternas
amor
amor

Pedro

câmara escura fotografia do sentir


em que superfície fixar
as emoções que evocas
senão na tua pele
as imagens que revelamos
o olhar
pálpebras em repouso
a deixar-nos ver
tudo o que sentimos

Pedro

no lento que o tempo é a água mar do tempo mor


quando te afastas de mim há de ti que fica em mim
partículas
partes
pensamentos
instantes
a marulhar-me
a ir-me adentro
até à areia molhada
até à rocha rolada
até à parede falésia
formas diferentes de pedra
pedra a pedra construção
amor

quando te afastas de mim há de ti que fica em mim
que te quero
mais
tu
eu
ser
querer
amor

Pedro

2009-10-09

a pele o rosto o corpo do teu corpo


a pele da mão na pele de todo o corpo que pele é que toca as mãos
os dedos entretecidos por entre filigranas cabelos pestanas anhidamente lábios labialmente próximos do sussurro entre entre
a pele ao de leve

Pedro

mais cedo que tarde


mais cedo que tarde
a folha do livro passa
e a palavra que passa
fica

mais cedo que tarde
a folha transalpina
a folha franciscana
fica

mais cedo que tarde
a saudade à tarde
a vida da tarde
fica

mais cedo que tarde
a febre vai cede
o sorriso breve
fica

mais cedo que tarde
a palavra folha
o vento que passa
fica

Pedro

entre o tempo de um raio de luz


ir por onde
na cor
de um raio de luz
que leve
que traga
a luz de que nasci
onde nasci por aí

nasci por aí
um dia
que fui por aí
a ver que nasci
a ver o aí

estranho
porque nasci aí
que nasci
vivi aí
ai que aí
em que aí não vivi

ir por onde
na cor
de um raio de luz
que aí só
vivi aí
por onde por onde vivi aí

Pedro

2009-10-08

do teu sentido que em mim encontro


todo o teu corpo
início
de fonte
a fonte princípio
espaço letra tempo
da palavra sentido

Pedro

um minuto dois mais minutos todos um a um dois dois minutos mais


olha a palavra que digo no suspiro
breve
curto
tão curto
mais curto que os gemidos
breve
entra
escreve
relê
entre a sensação
prazer
de fazer
ter
gemidos suspiro olha breve

Pedro

sirva-se prove deleite-se comove


é plano
estaticamente
plano
dinâmico
estar,
sirva plano
sirva estar
uma colher e prove

a mulher abre os olhos
devagar
diz nos olhos tudo
e lêem olhos gulosos
o que os olhos dizem tudo

Pedro

de uma noite chegada de início madrugada


a noite passa devagar
entrecortada
por um som estridente
o meio da madrugada

à noite é noite
dorme
brisa
beija o vento que dorme

Pedro

só os lábios nos lábios a respirar enquanto os lábios se tocam


lábios
pele
dedos
mãos,
olhos
orelhas
pescoço
queixo,
peito
colo
umbigo
coxas,
devagar
devagar
devagar
devagar

Pedro

2009-10-07

há alturas em que releio para perder-me encontrado


no que me releio
perco-me

não na memória
não na solidão
não no percurso
da memória

no que me releio
perco-me
pelo caminho
que fiz
que me lembro
de fazer

perco-me
pelo caminho
consciente
que escolhi fazer
feliz porque o fiz
contente porque o fiz
desperdido onde me fiz

Pedro

para um b a bá que não sei o que seja


o sincopado
da palavra
sincopado
faz o ritmo sincopado

que outras palavras
sincopadas
têm ritmo
sincopado
sem serem
sincopadas
parecendo
sincopadas
então sendo
sincopadas
devolutas
sincopadas
renascendo
sincopadas
palavras e mais palavras
a ir e vir
sincopadamente
ritmadas

Pedro

por palavras do olhar


ontem dei uma aula que me soube bem; disciplina (agora diz-se Unidade Curricular) de "som e vídeo para multimédia"; procuro centrar-me na forma de criar conteúdo bom, que a técnica e a tecnologia estejam ao serviço do conteúdo, não o inverso; procuro que o conteúdo seja a prioridade; que conteúdo? o conteúdo universal, a emoção; e por onde anda a emoção no audiovisual? qual o suporte? os olhos, a expressão do olhar; utilizei um vídeo como núcleo da aula, gravei-o da RTP2, chamado "What do Editors do?", escrito por Mark Jonathan Harris, realizado por Wendy Apple; uma delícia; sobre montagem e o que fazem os montadores, com intervenções de Jodie Foster, Spielberg, Zemeckis, Scorsese, Ridley Scott e outros, e uma série infindável e excelente de montadores; com exemplos de Lumière, Edison, Edwin Porter, Dziga Vertov, D.W. Griffith, Eisenstein, uma maravilha de ver e ouvir, analisar, apreciar e pensar... um montador diz "montar é gerir os olhares", outro diz "montar é criar ritmo", outro diz "montar é narrar", outro diz "montar é fazer viver a emoção"

a determinada altura passam este pedaço de monólogo de "Kundun", 1997, escrito por Melissa Mathison e dirigido por Martin Scorsese:

"First, one understands he causes much of his own suffering needlessly.
Second, he looks for the reasons for this in his own life; to look is to have confidence in one's own ability to end the suffering.
Finally, a wish arises to find a path to peace. For all beings desire happiness, all wish to find the pure selfs."

e este monólogo faz-me pensar no livro "O Caminho Menos Percorrido" de Scott Peck

no mesmo DVD tenho gravado um outro programa, sobre Herberto Helder; Paula Morão diz "... porque lendo em voz alta nós percebemos como os textos têm um ritmo que é muito próximo dos movimentos do coração, sístole, diástole, o movimento semelhante ao movimento pulsional das marés", e a voz of lê, de Herberto Helder:

"Se o sul é para trás e o norte é para o lado,
é para sempre a morte.
Agarrado ao volante e pulmões às costas
como um pneu furado,
o poeta pedala o coração transfigurado.
Na memória mais antiga a direcção da morte
é a mesma do amor. E o poeta,
afinal mais mortal do que os outros animais
dá à pata nos pedais para um verão interior."


ritmo, pulsar, olhar, poesia, emoção
está tudo universalmente onde se viva
se queira ver
ser-se capaz

não sei se é coincidência que no mesmo DVD eu tenha colocado o programa sobre montagem e o programa sobre Herberto Helder; sei que estão muito bem

gosto de dar aulas onde aprendo
gostei muito da minha aula de ontem

Pedro

2009-10-06

caminhos


o caminho que percorri
não o conheço
tenho memórias várias
tanto mais vagas
ou firmes
como essa vaga firmeza
conhecida
de ser o caminho percorrido
uma lembrança refeita

à memória peço esforço
se quero saber o caminho percorrido
esse esforço é sofrido,
tem o preço do crescimento

e não sei para onde vou
mesmo sabendo o que quero
sei para onde não vou
porque sei o que quero

Pedro

2009-10-05

shopping lady histerya

shopping lady histerya
click na imagem para ver em grande


ideia da minha filha Susana, desenho do meu filho Eduardo
um trabalho colaborativo, pois então
:-)

Pedro

2009-10-04

uma palavra no tempo e som de ser


da palavra
o tempo
o som
do espaço
o tempo
o som
no tempo
o som
com tempo e só
ser o som
dos teus lábios a dizer-me
amor

Pedro

2009-10-03

um beijo corre quilómetros e chega num instante mas à distância deste beijo de quantos beijos se ressente a saudade?


os teus beijos
meus preferidos
são todos
perto pertinho
ao sol
à sombra
a língua dentro
bem funda em ti
nos lábios
no rosto
nos olhos
pescoço
ombros
braços
pernas
sexo
os meus beijos todos em ti
os teus beijos todos em mim
ah que bons os beijos
que em ti
de ti
me fazem
tantos beijos

Pedro

2009-10-01

de todos os beijos os que prefiro são todos


há os beijos longos
os beijos húmidos
encorpados

há os beijos tontos
os beijos risos
gargalhados

há os beijos todos
os beijos tudo
saudade

Pedro

2009-09-26

por todos os beijos os beijos todos


dos beijos todos que demos
perdi-me completo por inteiro
no beijo pelo olhar que demos

Pedro

2009-09-25

do Universo navegantes


enviamos naves à lua a Marte aos planetas e para lá
com universos sem fim no corpo do amor

só pode ser cegueira
vontade de não viver
o aqui agora
real palpável
sem fim

por mim já sou astronauta
estratosfera que respiro
em ti o Bing Bang que descubro

Pedro

quando me encontro em ti que me encontro te encontro


se procurasse alguma forma de ter
essa sensação próxima de descrever
o que é o que seja o sentir
de sentir-te e ser nesse sentir...
que palavras seriam
que servissem o dizer...
só me lembro de palavras de silêncio
de lábios boca garganta em rouquidão
explosivamente incapazes de palavras

como me encontro a ver-te
os olhos a expressão a boca
o teu estado
o encontro
a entrega
inteira
não há sim
não há não
há tudo

Pedro

reflexos

reflexos


por reflexos que te levam
para além do reflexo
que reflexos
pensas
que reflectes
por distâncias
e pensamentos
no tempo que passa
que não fica
que passa e fica
o tempo que me ficas
tanto que me ficas
a memória invadida
a memória
sem ter dela
o tempo da partida

chegas
o mundo acabou
chegas
sabes ao mundo que chegou

Pedro

2009-09-24

Susana



nasceste como é que nasceste
que te vi crescer como nasceste
um raio de luz que cresceste
um olhar que amanheceste
um sol que te fizeste
o tempo tão curto que cresceste
como é que cresceste que cresceste
eu a ver-te a ver-te nascer
seta flecha o arco da partida
dessa ida britânica a ilha
vida nova nova vida
o tempo voa Susana o tempo voa
e um dia Bruxelas Lisboa
e um dia Londres Lisboa
o tempo voa o tempo voa

Pedro

2009-09-23

pelos teus dedos que me guio

pelos teus dedos que me guio


é bom tocar-te
os dedos as mãos
a pele
tocar-te
ao de leve
tocar-te
tanto
beijar-te
desejar com força nesta força nesta força
amor sexo amor amor
amor que me louco deixas sou

Pedro

pelo céu e pela terra

pelo céu e pela terra


singularmente
reflexos
repara como o céu se prepara
para receber da terra
do verde impregne
o verde
vida
que o sol aquece no dia
a dia
a vida que à noite adormece
o dia
que amanhã aquece

a terra é só uma
o céu um só
tu e eu um
que um um só

Pedro

de um olhar que me vê, vês?


se olhares pela janela não te espantes
não sou eu
são os teus olhos que me vêem

Pedro

tempo de Outono


o tempo de Outono tem assim uns tons e cores diferentes
intermédios
mornos e quentes
no compasso do frio

Pedro

2009-09-21

outono


a primeira vez que notei a cor de Outono foi há muito tempo, parece uma eternidade, estava no Porto, tinha seguido para Espinho, para o Cinanima, dado boleia à Luísa, que aproveitou para dar um pulo ao Porto para trazer coisas de casa para Lisboa, pediu-me se podíamos passar no Porto, aquiesci, fomos, e numa avenida qualquer ela mostrou-me a cor das folhas das árvores e disse olha que bonito estas cores de Outono e pela minha expressão ela viu que eu não via e disse-me tu não ligas muito a isto pois não e eu devo ter dito que não, lembro-me de ter dito que não, e desde esse tempo até agora passou um tempo imenso, parece uma eternidade, e a luz de Outono, as cores de Outono, vejo-as, e à janela, ontem, ao fim da tarde, disse em voz alta, olha-me esta luz, e repeti, olha-me esta luz, uma luz que não sei o que tem, é hipnótica, tem uma beleza muito particular, da minha janela vê-se uma colina e alguns prédios pela colina acima, e a luz reflecte-se nas janelas, às vezes vem directa do sol a mim e entra-me adentro pelo quarto e não sei se por mim

que luz vejo hoje é uma luz diferente
que a luz pode ser que seja igual
que os olhos pode ser que sejam diferentes

Pedro

2009-09-19

sonos


o sono é bom, é como acordar, é como viver, bocejar a boca aberta e ronronar, como ronronamos todos, de sono, de bom, de preguiça, de estar, de ver, luz, a invadir, a janela, a parede, a cama, os lençóis, as almofadas, e o calor da luz é morno, como o morno nos lençóis devagar a misturar-se com o morno da luz, e a sentir a luz a beijar-te a pele por entre beijos pequenos, os melhores beijos do mundo são pequenos beijos no canto dos lábios, música, os melhores beijos do mundo são beijos pequenos que sabem a música, ao ritmo compasso a ouvir sem ouvir o bater do coração, sem ouvir, síncronos, o bater o bater do coração do coração

Pedro

dormir contigo ao lado


sentir-te o corpo
sentir-te o corpo quente
no respirar suave que te embala
morno no sono quente
sentir-te o corpo

Pedro

2009-09-18

à janela de um tempo

à janela de um tempo


foi à janela que viste?
o quê
que viste
à janela de uma noite
uma noite entre
tantas
que noites

Pedro

2009-09-17

tempo

tempo


um tempo medonho
medonho

Pedro

2009-09-16

linhas e geometrias



linhas
geometrias
que mais linhas
geométricas
linhas
geometrias

Pedro

2009-09-15

chocolate canela café


com que chocolate
com que canela
com que café
te entretenho
que te tenho
que nos entretemos
em chocolate
canela
café
depois da manhã
da tarde
da noite
e quantas mais manhãs
das noites amanhã

e quadrados de bolo
e doce de cereja
e doce de figo
em pão de centeio

Pedro

2009-09-12

acontecer


tu aconteceste, sabes?
não sei como
como foi
como tenha sido

aconteceste

tu aconteceste
sabes?
como sabes?
eu não sei
e não será para saber

sei que é
que aconteceste
e que vivo

Pedro

subitamente


e subitamente
na curva da vida
ela apareceu
e disse

PS: Nice seeing you here :)

- Likewise, nice seeing you here

e a felicidade aconteceu

Pedro

2009-09-05

por um olhar


por um olhar adentro
que janelas visíveis visionas
por um olhar adentro
paisagens abertas janelas longas

Pedro

2009-09-04

pela paisagem de um sol nascente


sentimentos
nus
palavras
despidas
visivelmente
entregues

Pedro

longe


estar longe
é uma seca
tão seco
como um deserto

Pedro

2009-09-03

um ser eu


o ser eu
que é tudo
é tudo ser
é ser tudo
que ser eu
é ser o eu
do ser eu
o ser mundo

Pedro

que fazer com este estar por acontecer


Estou à espera do efeito do café. Que se faça sentir esse estado desperto. Que preciso dele neste deserto desterro enterrado. Não completamente completo. Mas lento e afastado de tudo o que é existência a que estou habituado. Para o pão tenho que me meter no carro. Para o almoço, carro. Para o jantar, carro. As pernas não chegam. E agora, a usar o portátil nesta rede, net, lenta e mais que lenta em sintonia com o local, descubro que todas as partes cromadas, poucas, expostas do portátil, se lhes toco com a ponta dos dedos levo um senhor choque eléctrico... Isto é lento e, nessa lentidão, adormecente... Para não se correr o risco de adormecer, a rede eléctrica está mal instalada e prega-nos arrepios de acordar, arrepios modernos, electrizantes, que isto aqui sendo antigo e lento, recorre ao moderno electrão para uma terapia de choque: acorde

Pedro

2009-09-01

going and returning from gone


gone
not forever
not forever
gone
the journey
born
the journey
reborn

Pedro

olha a forma que formo quando te vejo inteira que é sempre como te vejo tão inteira que me preenches


de todos os passos que dei
de todos os passos que dou
em todos os passos que serei
há um passo em que sou
o que já fui
o que serei
um eu feito escultura
forma filigrana entretecida
a luz a sombra e penumbra
entre brilho de clara a escura
a forma mais completa de mim
o brilho de um sorriso em mim

Pedro

2009-08-30

de estar e ser bom


é bom estar
é bom ser
é bom viver

Pedro

2009-08-29

carta


uma carta de amor
é um poema
com todo o amor
que nele contenha

Pedro

como não escrever em ti palavras de amor se te amo tanto que não sei como amo


escrevo-te o corpo que sinto
o sentimento que sinto
o sentir que sinto
escrevo

Pedro

uma carta de amor de um tamanho único (que é um tamanho imenso) como único o amor do amor que escrevo


escrevo com amor
uma carta de amor
ao meu amor
que escrevo, amor
com muito amor
estas linhas
palavras
estas palavras
uma carta?
esta coisa dita
como as palavras
ditas
com mais do que sentimento
com sentimento
amor
de quem sente
amor
nas palavras sentidas
palavras
consentidas
nos actos
nos olhares
ditongos
vagares
no despir
da palavra
cada sonolência
do corpo
entregue e ais
gemidos e ais
e huns e huns
no teu corpo
mais
no meu corpo
mais
palavras palavras
todas as palavras
que não ouço que gemo
entre palavras
que entrego
o tempo de todas
e todas as palavras
por entre palavras
o tempo que quero

Pedro

amor


amor carne
amor mente
amor louco
amor demente

Pedro

2009-08-28

quando a espera é espera que foi


quando menos esperas
alcanças

Pedro

carta ao meu amor


o que mais fixo em ti?

o que mais fixo em ti é o espírito, a graça, o sorriso, o riso,
e que a isso juntes um físico de espanto
ah sorte de espanto
que me espanto no espanto da sorte de tanto

o que mais fixo em ti é o amor, amor,
o amor de amar, de amar desse modo, a entrega amor,
o amar inteira o amor de entrega, o amor devagar, amar depressa

o que mais fixo em ti é o olhar, que diz sem perguntas,
que olha fixa e vê, o olhar de amor no olhar de amor

o que mais fixo em ti é o reflexo de mim,
a cor que sou no reflexo de mim,
na cor dos teus olhos a cor do teu olhar

que mais te amo? o que mais fixo em ti
que te amo mais

Pedro

o meu vizinho


a sua grande infelicidade
no seu pequeno carro
o meu vizinho arrasta sombras
num saco cheio e pesado
tão grande no cenho carregado
segue cedo para o trabalho
dia longo inteiro ensombrado

Pedro

sinais



no fim o verão
início o outono
que outonos virão
que inícios verão

Pedro

quando o tempo passa e finalmente


ontem queria o mundo

hoje quero-me a mim

hoje quero-te a ti

com 5 queria o mundo
no décuplo querermo-nos

Pedro

de um sincero aniversário


Não faço anos hoje, já fiz, é passado, estão feitos, para o ano há mais; e mais anos para o ano também, espera-se.

Este ano, inesperado, dos costumeiros sem falhas, silêncios;
este ano, inesperado, variados e vários mensageiros inesperados.

Não resisto a esta... É-me deliciosa. Não sei se o Luís anda por aqui. Sei que gostei da mensagem. Sei que gostei do que me meti na resposta. Que há respostas automáticas, respostas pessoais, respostas entregues, respostas intestinais.

Ah carago que gosto deste gosto de estar, ah carago que gosto de me estar, ah carago que gosto de gostar

Costumo dizer que não sou Português, há muita coisa que não entendo, e vernáculos que não domino; não é mania nem peneira, é facto; e de facto nem sei se carago é vernáculo, mas ah carago como o ser vivo é bom de facto!

Aqui vai o texto, resposta ao Luís:

> Olá Pedro
>
> Tanto quanto sei, fazes anos hoje. Infelizmente, com o excesso de
> informação indiscriminadamente de boa e de má qualidade, nunca
> se sabe.
>
> Se fazes anos, desejo-te felicidades
>
> Parabéns
>
> -- Luis

Tanto quanto sei estás correcto :-)
foram 50 que já cá cantam, não escapam nem fogem
nem os quero em sumiço que me souberam bem
para me fazer rijo (isso) prós mais 50 que lá vêm

:-)

Pedro

numa margem sentado à beira do rio que não chorei



guardador de margens
caminhos
vagos
vamos

guardador de viagens
trânsitos
estados
gritamos

guardador de dentros
pensamentos
idos
antanhos

guardador de um eu
de um espaço
um dentro
um tu

guardador do rio
que passa
que faço
que vive

rio que guardas
memórias
rebanhos
estranhos

rio que passas
que lavas
que lavas
que rio

rio que passas
que lavas
que rio
que rio

Pedro

2009-08-27

tempo


o tempo distante a cada instante
o tempo
tempo constante
o tempo
curto o segundo
longo o segundo
do tempo instante do tempo constante
o tempo que passa
o tempo que pára
a ver passar o tempo que passa

voa tempo regresso
voa tempo de inferno
voa tempo tempo voa
foge tempo
faz-te à vida faz-te à estrada
tempo foge
desfaz-te contra o mar
desfaz-te contra o ar
faz-te tempo tempo presente
tempo!
vê se aprendes a passar

Pedro

2009-08-26

luar


de mãos dadas
o luar a espreitar-nos os beijos
ah como quero esse tempo
de estar e a lua a espreitar

Pedro

little window



por uma janela pequena
vi-te, pequena
ah vi-te
e nisso a janela
e tu, pequena
pela janela pequena
ah pequena
vivo-te mundo grande

Pedro

nuvem passageira



– Deixa-me colocar um pedacinho de nuvem minha no teu céu

E a fertilidade aconteceu

Pedro

oh this simple thing


there's a quest
so simple
how to simply say
to say it simple
in the simplest way?

ah the simple quest so difficult
as all simple things
are not so simple at all
they are the hardest things
the hardest things of all

how to
say it
in the simplest way
the way you feel this way?

one way, is this the way
may be just to say
saying it in this way
this simple way to say:

my love I love
I love my love

Pedro

tempo


anda a caminhada
o eu regresso
retomo o tempo
o tempo agora

ah o tempo

o tempo nosso
o tempo novo
o tempo nosso
que te peço

Pedro

à memória do futuro memória no tempo futuro


a vida retoma-se
vestalmente
sal da vida
temporal

de feição à feição
do furacão acalmado
a vida retoma-se
finalmente
virgem do tempo
carnal

Pedro

vida e amo


amo a vida que me trouxe aqui
amo a vida que me trouxe
amo a vida
amo

Pedro

gero a geratriz que giro e gero que gero que giro que giro que gero


o fruto gera a flor?
a flor gera o fruto?
no ventre o fruto dessa flor
no verso a flor do fruto em flor

Pedro

de um fruto flor de um fruto em flor


como no doce de frutos vermelhos
tão vermelhos
quanto doce o doce é
que me és tão doce
que me és
tão
doce
que me és tão doce

saboreio
sinto
volto
sinto

saudades
que sinto
que sinto mais
tanto mais saudades que sinto

Pedro

olhar



que olhar que olhar
que olhar é o meu
de entre a sombra
de entre o olhar
de entre a sombra do olhar

Pedro

2009-08-25

marinheiro marinheiro onde anda o teu mar


onde anda a bússola
que perdi-te norte
não te perdi norte
tenho-te dentro norte
que não há perdição
norte maior
não há
que este marinheiro de ti
este marinheiro de si

Pedro

sim


sim
é uma cascata
íngreme
vê
o que me fazes

continua
e lê
vê
a cascata
que fazes
me fazes
ai!

que gosto
de cair
assim
das alturas
por entre
entre
letras
loucas
todas
por ti
por mim
nós
enroladas
as letras
nós

Pedro

ergo-te champagne vida vermelho cor de morango


no sopé do meu pé
eu montanha de mim
ego para lá do ego
a água fria toca-me
e desço devagar lentamente
à areia a minha praia
para um sol luminoso
um dia começado
para luares e nascimentos
de um dia depois do outro

este já é mais do que o primeiro
dos dias das nossas vidas
pela vida e à vida
morangos e champagne

Pedro

de louco de vivo de morto e renascido todos temos um pouco e uns bem mais que esse pouco


he pá
hás-de reparar que enlouqueço
muito rapidamente
tão rapidamente
que enlouqueço
que não me revejo
a cada reflexo fugidio
da cor do meu reflexo
de que cor é o meu
reflexo
ah como reflexo o reflexo este
reflexo amor
como o amor mata e consente
que se mate lentamente
de amor o amor ausente
o amor que cresce e se abandona
e consente
e vive
e revive
que a vida seja enormememte
tão enormemente como vive
amor verve amor verve
amor vero verve amor

ah caraças de coisa esta que me matas amor
vês que me matas?
revive-me
renasce-me
que te vivo
inteiro
que te renasço
te alcanço
entre aqui
e um instante

ah amor
como vivo como vivo

Pedro

fui ao doutor das doenças e ele disse-me desembrulhe-se desenmerde-se que isso é - não vou dizer o que é aqui no título, pois não?! ora


tem que ser doença neuronal
tem que ser
doutor
veja faça
analise
teste afinal
é doença, doutor?
de que padeço que tal?
não
como não
se é
só pode
só pode
doutor
veja lá
como se pode escrever tal
assim
oiça
já os títulos se me escapam
até os títulos se me fogem
não faço nada das letras
fico c'os olhos aos molhos
veja lá doutor
veja
que não controlo
que doença doutor
doença
paz?!
de amor?!!
mas oh doutor ...
diagnóstico? ...
por favor ...
p'ra entender ...
doutor!

Pedro

ah que fogo me fogo há no fogo que fogo fogo há


um fogo
que é este
é um fogo
que fogo
entre lava
furacão
entre alva
dimensão
o fogo ilusão
concreto coração

Pedro

saudades de ti


saudades de Paris
saudades de Veneza
saudades da Escócia
saudades de ti
o espaço de todos os lugares
espaço infinito
espaço de vida
infinito o lugar da vida amor

Pedro

caminhada caminhada caminho acompanhada


um passo um passo
só mais um passo
só mais um esse passo
mais um passo mais um passo
que sobe o caminho
_ o pó sem calçada
sobe que sobe
_ íngreme caminhada
sobe tanto tanto longe
sobe a pique sobe só
sobe não só a caminhada
sobe as penas largas pó
do pó que largas das sandálias
sabe o pó que desmemória
por entre o pó que te vejo
só vejo passos de acompanhada

Pedro

de um pó que se alevanta caminhada infinita


da poeira a que regresso
entre poeira que caminho
da poeira do regresso
do pó feita poeira inteira

Pedro

de lá de longe de tão longe


no seco poisio que me encontro
entre trânsitos penosos
do sol que nasce no deserto
no horizonte a humidade cresce

Pedro

chuva


deve ser isto chuva
gota a gota palavras
linhas entrelaçadas
água letras enxurradas

Pedro

vida


quero consumar
como me consumo
para lá de concreto desejo
viva vida isto inteira

Pedro

ar terra água fogo


olha o ar que toca o céu
olha a terra que te caminha
a água que te inunda
do fogo que te consuma

Pedro

água


que água
me mata
mais a sede
que mata

Pedro

ar


que ar
o ar
de ser
respirar

Pedro

terra


que terra
é terra
de caminhar
e viver

Pedro

fogo


que fogo
é o fogo
que arde
e se vê

Pedro

2009-08-24

tempestade no canal


dessa tempestade no canal
amor
quero as tuas vagas
amor
ah quero o teu canal

Pedro

e eu


ai caraças
que a cada vez
gosto mais de ser quem sou

Pedro

pai e filho


Ontem chegámos tarde do cinema, e jantados, ele diz:

– Estou contente. Gosto de ser quem sou...

– O que disseste?!

– Gosto de ser o Eduardo. And if you don't like it you can go to hell...

Fiz-lhe um silêncio breve num breve sorriso, para a seguir dizer o que ele e a irmã já me gozam:

– Tens doze anos e já sabes mais que muitos adultos...

E sorrisos risos.

Pedro

pai e filha


Depois de uma conversa boa, em fim de tarde, na esplanada do Saisa em decrepitude, Santo Amaro de Oeiras, sobre a areia da praia:

– Cada vez gosto mais de ser teu pai... – disse eu

– Vou dizer uma coisa engraçada... – disse ela. – Eu cada vez gosto mais de ser eu...

E sorrisos risos.

Leonor



ah como vai cândida e formosa
pelo branco da avenida
Leonor tão bonita
rosa pétalas bela a flor florida

Pedro

de uma estátua em transe


sou o teu mármore
que o teu limão derrete

Pedro

desejos


um bom duche
que eu duche bom

Pedro

cozinhados


ai que desforra de mimo
e caldo associado

Pedro

amor


se possível
perguntava-me
como seria

agora sei
que vou sabendo
e sabe bem

Pedro

um relance de ler ler-te ter-te ser-te te ser


leio-te em mim, amor, leio-te
ah como te leio que quero ler tanto

Pedro

beijo


um beijo meu
que te dou
um beijo meu amor
ai dou-to

Pedro

2009-08-23

o teu brilho meu amor cega-me completamente


reparaste
certamente
como me cegas
docemente
tão definitivamente
intensamente
como reparaste
certamente
que me cegas
meu amor
devagar
lentamente

Pedro

das crianças em nós


ser pequeno em grande
é ser tão grande
é ser maior
é ser
é-se

Pedro

2009-08-22

pi


quando o valor de PI é 3
ele é tão mais que 3
como é o valor de PI
3.141592653589
e muito mais muito mais
na dízima infinita não periódica
um valor a números sem fim

Pedro

2009-08-21

declaração


não gosto de pontuação
não
não gosto de pontuação
pois não não gosto
não
gosto de pontuação
gosto
que gosto mesmo
a gosto
de pontuação
pois gosto
gosto
de pontuação
a gosto
a gosto
de pontuação com efeito

Pedro

no relance de um beijo


o teu amor eu
meu amor
ama-te inteiro
e dá-se-te todo
amor, todo!
como no primeiro beijo

Pedro

amor


às mulheres que me amam
eu digo obrigado
à mulher que eu amo
eu digo
tanto
obrigado

meu amor
amo-te
tanto
obrigado

Pedro

2009-08-20

anos


estes anos que vão passando
não pesam
vão pesando
não lhes sinto o peso
vou sentindo

deve ser disso
este cansaço
que não sinto

Pedro

2009-08-19

And where is the wine??



Olá Flavio e Gina

o vinho está no comemorar o encontro de amigos e amizades
vinho espesso líquido tinto encorpado
como as amizades boas dos corações
fortes envolvidas entregues vividas
entre vinhos bons
entre vidas boas

um obrigado tão grande meu
deste lado do lago
para esse lado do lago
numa ponte boa
um forte abraço
copo cheio de bom vinho
selo e bebo, alegria, à amizade

longo e forte abraço do
Pedro

como te vou


vou pela poesia
como vou pelo teu corpo
vou
vou
poesia o teu corpo
poeta amor
amor em ti
tu
meu amor

Pedro

sabores 2 sabores que 2 sabores a 2



café preto amargo
com canela

compota firme
de frutos vermelhos

combinação sublime
estado perfeito

deve saber assim
o sabor do amor


Pedro

2009-08-18

foi a festa pá


gostei da festa pá
estou contente
do sabor novo nos olhos
como sabor de Abril

Pedro

sabores



Pedro

diamantes


amantes de dia
amantes à noite
os dias dos amantes
são dias diamantes

Pedro

diamantes


um diamante diamante
brilha diamante
que brilho diamante
diamante diamante

Pedro

2009-08-17

answer


que não seja a resposta verbalizada
por demais adivinhada
que uma alma que se dê
deixa de ser alma que se dá
é para lá da alma que lê
ser uno na alma alcançada

Pedro

alma


de uma alma que se dê
quanto tempo
quanto se dá
a alma no tempo
alma o eterno tempo

Pedro

2009-08-16

circo círculo


a vida não é um circo
a vida é um círculo
cada um adaptado
ao comprimento do seu raio

ao dia que assumes
o que venha de encontro
desforça em descoberta
nesse dia descírculo
o fio do raio parte
desfilada trajectória
perímetro abandonada

bom dia vida minha
que sei que dormiste bem
bem vinda minha vida
tempo nosso descobertas

Pedro

2009-08-15

procuro procura procuro


- Viu por aqui, o que procuro eu?, viu por aqui, ai ui, que procuro?, viu, viu por aqui?
- Não sei o que vi, o que procura, não sei, que procura?
- Viu, não sei, não sei, que procura, que procura, não sei... Viu?
- Vi, vi a luz do sol, tão banal, como dizer que não é banal, vi, vi a luz, viu?
- Vi, vi a luz, natural, vi a luz, vi o sol, vi o brilho, vi luz, vi, que procuro, viu?

Pedro

tempo


não sei do tempo
não sei
perco-me
sem tempo
no tempo
não sei
que tempo
que tempo
onde
que tempo
que me perco
onde

Pedro

sending


I'm sending a kiss
a very gentle one
so gentle the kiss
you know
this is the one

Pedro

luz



não sei quando escrevi isto
mas ontem foi o caso em que se aplicou inteiramente

Pedro

2009-08-14

de luz de sombra de penumbra da fotografia


há um espanto que se constrói no dia a dia de descobertas

luz
sombra
penumbra
da fotografia
ângulo a ângulo
vista a vista nova
da vista nova o espanto
olhar entre espaços
na fotografia
penumbra
sombra
luz

olhe-se pela ocular
o que a lente enquadra

faça-se o click exacto
do que o olhar faça

tenha-se o cuidado extremo
da delicadeza no olhar

entre-se pela luz no espaço
devagar o olhar devagar


há paisagens que de tão bonitas
são início de viagens
há passagens que em imagens
fazem o tempo parar


Pedro

2009-08-13

mundo



mal se tocam
a caixa da madeira com cheiro
a pedra com terra
o fruto de mil frutos

mal se tocam
de tão perto

sabem da separação que os une

mal se tocam
e o nada que se tocam
são as pontes de futuro

Pedro

tempo


o tempo que parte
o tempo que chega
não sei se são
o mesmo tempo

sei
que o tempo que parte
que o tempo que chega
são um tempo
o tempo que vivo

Pedro

2009-08-12

reciprocidade


ninguém faz pelo outro
o que o outro não faz por si

a questão não é
se te faço feliz
se me fazes feliz

se sou feliz
comigo
em mim
sou feliz
contigo
em ti

se és feliz
contigo
em ti
és feliz
comigo
em mim

felicidade é o estado feliz
do (estar) ser feliz em reciprocidade

ser é mais longo
que estar
ser é a eternidade


quando encontrar o ser
desta reciprocidade
nesse por com esse ser
a certeza de ser feliz


Pedro